Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 9 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 9 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 9 de 11)

 

— Gahah!? — O impacto forçou o ar de seus pulmões a sair, o que fez o Hajime rosnar ferozmente.

O cilindro do Donner suportava seis balas. Ele tinha disparado cinco, mas ainda tinha uma sobrando. Não havia nenhuma maneira dele ser capaz de o recarregar no meio dessa luta, e suas próprias estatísticas não eram elevadas o suficiente para que ele pudesse derrotar o Garrurso sem o poder esmagador do Donner. Cada tiro que ele errou foi um tiro que o tinha trazido para muito mais perto da morte. E ainda assim, o Hajime ainda sorria. Porque com isso, sua vitória estava agora garantida.

Quando ele bateu no chão, ele jogou o Donner no ar. Ele então tirou alguma coisa do seu bolso e lançou no Garrurso ferido.

— Estou muito orgulhoso do rumo que isso tomou. É melhor ter cuidado se você não quiser morrer. — Embora não houvesse forma de o urso entender as palavras do Hajime, ele ainda olhou para o objeto que rolou aos seus pés quando o Hajime murmurou isso. O que havia ali era uma esfera pequena de esmeralda, com cerca de cinco centímetros de diâmetro. E essa esfera subitamente estourou em uma explosão de luz.

Era a granada de luz improvisada do Hajime. O princípio por trás dela era simples. Ele tinha pego um pouco de luminopedra verde e a preenchido até a boca com mana. Depois disso, ele tinha aplicado um fino revestimento sobre ela para impedir que a luz vazasse. Ele tinha então a envolto com uma pequena quantidade de pedraplosão no centro da pedra, e criado um pavio que ia até a superfície revestida.

Por último, ele tinha acendido o pavio utilizando o Campo Elétrico. A pedraplosão do lado de fora queimou lentamente até chegar no centro lotado, onde ela explodiu violentamente. Com o cristal despedaçado, a luminopedra liberou toda a luz de uma vez só em um clarão verde-esmeralda brilhante. Ele tinha estipulado o pavio para explodir três segundos depois de acender. Embora tivesse tomado um esforço considerável para fazer, ele estava orgulhoso do resultado final.

O urso, que não tinha conhecimento das armas modernas, encontrou naturalmente o seu olhar atraído pela granada, e quando ela explodiu cegou o Garrurso. Ele rugiu de dor, agitando loucamente suas patas dianteiras. Ser cegado o tinha deixado em pânico.

E o Hajime planejava tirar total proveito disso. Ele pegou o Donner do chão, apontou e disparou. A bala acelerada eletricamente acertou o urso enlouquecido em cheio no ombro esquerdo, e o rasgou fora completamente.

— Graaaaaaooooo!!! — Seu rugido foi alto o bastante para destruir os tímpanos. O Garrurso nunca tinha sofrido tanta dor antes. Uma grande quantidade de sangue jorrou do cotoco que outrora fora o seu braço. O braço esquerdo arrancado girou no ar algumas vezes antes de perder a inércia e cair de volta ao chão com um baque molhado.

— Que ironia do destino. — O Hajime na verdade não tinha visado o braço esquerdo do Garrurso. Ele apenas não era um bom atirador. Ele tinha muita prática em lutar contra os Lobos Cauda-dupla e semelhantes em acertar um inimigo que estava investindo diretamente até ele, mas ele certamente não era suficientemente bom para acertar um inimigo agitado com precisão milimétrica. Portanto, o fato do Hajime ter arrancado o braço esquerdo do urso, do mesmo jeito que lhe tinha arrancado, foi uma completa coincidência.

O Hajime manteve um olhar atento ao urso, que ainda estava se debatendo cegamente, então levou o Donner contra o seu corpo, no toco do seu braço esquerdo e o recarregou.

Ele disparou mais uma vez. Apesar do urso ainda estar desorientado, seu sexto sentido o fez perceber a sede de sangue do Hajime e ele saltou para o lado. Parecia que foi a sede de sangue do Hajime que deu ao Garrurso um aviso prévio suficiente para esquivar das balas aceleradas pelo canhão eletromagnético. Quando ele percebeu isso, o Hajime estreitou os olhos, e usou o Passo Supersônico para passar correndo pelo urso, para onde o seu braço esquerdo cortado estava.

O urso se virou para olhar para ele com olhos vermelhos cheios de ódio. Parecia que ele tinha finalmente recuperado sua visão. Enquanto estava observando, o Hajime ergueu o braço esquerdo do urso, e o mordeu. Suas mandíbulas tinham sido fortalecidas significativamente por comer carne de demônio por tanto tempo, então ele rasgou facilmente a pele e tendão duros. Era uma repetição do momento em que o Garrurso tinha comido o braço do Hajime diante dele, exceto que dessa vez era o Hajime que estava comendo.

— Hamf, mmf, não importa quantas vezes eu coma, carne de demônio continua tendo gosto de merda… Apesar de que por alguma razão essa é um pouco melhor que as outras. — O Hajime olhou para o urso, que estava olhando para ele com muito cuidado nessa altura. Ele não se movia. Havia medo em seus olhos, mas o choque de ver sua própria carne ser comida na sua frente, combinado com sua visão ainda desfocada, o impedia de se mover.

Satisfeito com a inação, o Hajime continuou mastigando. De repente, ele sentiu algo. Dores agudas pulsaram pelo seu corpo, assim como a primeira vez que ele tinha comido carne de monstro.

— O qu…!? — Ele rapidamente pegou um frasco de Ambrósia e o ingeriu. A dor não era tão ruim quanto a da primeira vez, mas mesmo assim foi forte o suficiente para o fazer cair com um dos joelhos, incapaz de se manter de pé. Parecia que o Garrurso era uma espécie completamente diferente comparado com os Lobos Cauda-dupla ou os Coelhos Mestrepernada, e absorver seu poder trouxe a velha dor.

É claro, o urso não ia deixar essa oportunidade escapar. Ele rugiu em provocação e investiu à frente. O Hajime ainda estava ajoelhado, incapaz de se mover. A esse ritmo, ele seria esmagado pelo urso, e seria como a repetição do seu primeiro encontro. Mas quando esse pensamento cruzou sua cabeça, alguma coisa passou repentinamente pela mente do Hajime e então ele sorriu.

Ele pôs a mão direita no chão… e a envolveu com eletricidade. Toda a eletricidade liberada com sua potência máxima pelo Campo Elétrico percorreu o líquido cobrindo o chão, e investiu contra o urso parado do outro lado.

O líquido era, evidentemente, o sangue do urso. O mar de sangue que tinha sido derramado do seu braço esquerdo. Quando o Hajime tinha brandido o braço direito do Garrurso bem na frente dele, ele tinha derramado gotas de sangue por toda parte, e criou uma pequena poça delas lá onde ele estava.

Ele não era tão arrogante que iria comer no meio de uma luta só para se exibir. Ele não tinha previsto o retorno da dor por comer a carne de monstro, mas o resto disso tinha sido tudo parte da sua armadilha. Mesmo comer o braço direito na frente do urso tinha o provocado a investir precipitadamente para ele. A dor tinha estragado um pouco seus planos, mas tudo ainda acabou por funcionar muito bem.

No momento em que o urso pisou na poça de seu próprio sangue, milhares de volts de eletricidade fritaram todo o seu corpo. A eletricidade queimou a carne do Garrurso, chamuscando alguns nervos também no processo. Porém, apesar de ele ter liberado ela na potência máxima, seu poder ainda estava muito longe do poder real. Ao contrário dos Lobos Cauda-dupla, ele era incapaz de disparar descargas elétricas, e seu Campo Elétrico só conseguia produzir metade do poder do original. Mas até mesmo isso ainda foi o suficiente para paralisar o urso por alguns segundos.

— Graooooo! — O Garrurso deu um grunhido baixo, depois caiu de joelhos, tremendo em uma poça de seu próprio sangue carregada eletricamente. Mesmo de quatro — ou melhor, de três — ele ainda encarava sanguinariamente o Hajime.

O Hajime olhou de volta para ele, e dolorosamente se pôs de pé. Ele tirou lentamente o Donner do seu coldre, e caminhou até o Garrurso. Ele levou o cano contra a sua testa.

— Você é minha presa agora, — ele disse decisivamente, apertando o gatilho pela última vez. A bala taur cumpriu o seu dever, pulverizando totalmente a cabeça do Garrurso.

Um último disparo ecoou por todo o corredor vazio.

Até ao momento da sua morte, o Garrurso nunca tirou seu olhar do Hajime. Da mesma forma, o Hajime não tirou seu olhar do Garrurso.

A explosão emocionante de alegria que ele tinha esperado nunca veio. Mas também não teve um sentimento de vazio. Ele tinha feito simplesmente o que foi necessário. O necessário para viver, a fim de ganhar o direito de sobreviver.

O Hajime fechou os olhos e repensou sua mentalidade. Depois de um momento silencioso de deliberação, ele decidiu continuar a viver desse jeito. Ele não desfrutava lutar. Ele só queria evitar a dor. Ele só queria poder comer até se encher.

Ele só… queria viver.

Subverter seu destino irracional, matando tudo o que lhe opusesse, todas elas eram medidas simples que ele tomou a fim de sobreviver.

Ele jurou para si mesmo. Que ele iria sobreviver… e… voltaria para casa.

— É isso mesmo… Eu só quero… ir para casa. Eu não quero saber de mais nada. Eu irei voltar para casa, não importa o que tenha de fazer. Eu vou conceder esse único desejo meu, com as minhas próprias mãos. E não importa quem eles possam ser, qualquer um que tentar ficar no meu caminho… — O Hajime abriu os olhos e sorriu cruelmente.

— Morrerá por essas mãos.



Hajime Nagumo / Idade: 17 / Homem / Nível: 17

Classe: Sinergista

Força: 300

Vitalidade: 400

Defesa: 300

Agilidade: 450

Magia: 400

Defesa Mágica: 400

Habilidades: Transmutar [+Avaliação de Minério] [+Transmutação Precisa] [+Percepção de Minério] [+Decomposição de Minério] [+Junção de Minério] — Manipulação de Mana — Estômago de Ferro — Campo Elétrico — Dança Aérea [+Aerodinâmica] [+Passo Supersônico] — Garra Ventânica — Compreensão de Linguagem




KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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