Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 8 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 8 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 8 de 11)

 

— Guooooh!? — Ele colocou a mão no rosto enquanto rolava no chão. Após a dor diminuir um pouco, ele bebeu solenemente um pouco da Ambrósia.

— Bem… pelo menos funcionou… — A razão dele ter caído de cara no chão apesar de ter saltado para frente, era porque ele não tinha formado devidamente o equilíbrio. Foi por isso que ele tinha efetivamente tropeçado e caído em pleno ar. A Aerodinâmica era aparentemente uma habilidade que lhe permitia criar pontos de apoio no ar. Ele tinha obtido várias habilidades do coelho de uma vez só, apesar de elas serem todas habilidades derivadas da habilidade Dança Aérea.

Satisfeito por ter obtido várias habilidades de uma vez, o Hajime começou a treinar elas em simultâneo. Ele queria estar forte o suficiente para derrotar aquele Garrurso. Ele achava que seria capaz de o derrotar a longa distância com o Donner facilmente, mas queria ter certeza absoluta, só por precaução. E havia sempre a possibilidade de monstros ainda mais fortes aparecerem. O otimismo no labirinto te levaria à morte. Quando ele estivesse certo de que poderia matar mesmo o Garrurso, seria hora de começar a procurar uma saída.

O Hajime redobrou sua determinação, treinando mais do que nunca.

Uma figura corria pelos corredores do labirinto tão rápido que parecia não mais que um borrão.

Essa figura era, é claro, o Hajime. Tendo dominado completamente a Dança Aérea, e estando a usar o Passo Supersônico para correr pelas paredes, enquanto às vezes também utilizava a Aerodinâmica para criar pontos de apoio no ar para si. Ele atravessou o labirinto em alta velocidade, procurando pelo seu inimigo mortal, o Garrurso.

Sinceramente, procurar por uma saída deveria ter sido prioridade, mas o Hajime foi consumido pelo desejo de se vingar do urso. Ele não seria capaz de seguir em frente a menos que fosse capaz de provar a si mesmo que era mais poderoso que o monstro que tinha outrora esmagado seu espírito.

— Graaaaah! — Ele se deparou com uma alcateia de Lobos Cauda-dupla, e um deles avançou nele. O Hajime calmamente saltou, deu um salto mortal em pleno ar, puxou seu Donner, que estava preso à sua perna direita com um coldre feito de fios transmutados, e disparou.

Bum! O som da combustão da pedraplosão ecoou pelo corredor, e a bala acelerada pelo Campo Elétrico do Hajime pulverizou a cabeça do primeiro Lobo Cauda-dupla.

Ele então usou a Aerodinâmica para fazer um salto duplo no ar antes de apontar e disparar uma saraivada de tiros nos outros lobos. Nem todos atingiram seus alvos, mas ele ainda foi capaz de aniquilar o grupo com uma única barragem.

O Hajime segurou o Donner na sua axila esquerda e começou rapidamente a recarregar. Então, sem sequer dar uma olhada para trás nos lobos caídos, ele avançou outra vez.

Depois de um tempo gasto matando quaisquer Coelhos Mestrepernada ou Lobos Cauda-dupla que ele encontrou, o Hajime finalmente avistou sua presa.

O Garrurso estava no meio de uma refeição. Ele estava mastigando os restos do que parecia ter sido um Coelho Mestrepernada. O Hajime sorriu triunfantemente e começou a se aproximar calmamente.

O Garrurso era o monstro mais forte a surgir nesse piso. Em outras palavras, ele era o rei. Embora houvesse hordas de Lobos Cauda-dupla e Coelhos Mestrepernada, o Garrurso era o único dessa espécie.

Portanto, isso justificava a razão de que não havia nada mais forte habitando o piso. Os outros monstros se esforçavam para ficar fora do seu caminho, e se alguma vez o encontrassem, eles correriam o mais rápido que pudessem na direção oposta. Nenhuma criatura ousava se opor a isso. A ideia de que alguém se aproximaria dele por livre e espontânea vontade era um completo absurdo.

Todavia, esse mesmo absurdo estava nesse momento acontecendo perante os olhos do urso.

— Como vai, urso. Faz um tempo. Você gostou do sabor do meu braço?

O Garrurso entrecerrou seus olhos com raiva. O que é essa criatura? Por que não corre? Por que não está tremendo de medo? Por que o desespero não preenche seus olhos? O urso estava confuso, nunca tendo visto algo assim antes.

— Eu estou aqui para a minha luta de revanche. Mas primeiro, eu vou fazer você me ver como seu inimigo, e não apenas como uma presa.

O Hajime puxou o Donner do seu coldre e apontou para o Garrurso. Ele então se perguntou lentamente uma questão enquanto mirava.

— Estou com medo? — A resposta era um definitivo “Não”. Ele não estava tremendo de medo, nem estava nas garras do desespero. Não, as únicas emoções que se agitavam dentro dele era uma vontade feroz de sobreviver, e um desejo ardente de matar os seus inimigos.

O Hajime curvou seus lábios em um sorriso feroz.

— Eu vou te matar e o comer, seu bastardo. — Ele apertou o gatilho do Donner. Com um som estrondoso, uma bala endurecida de taur avançou em direção ao Garrurso há três quilômetros por segundo.

— Gaaaooo!? — Ele se jogou instantaneamente ao chão com um rugido, evitando por um triz o tiro do Hajime.

Ele tinha começado a se mover antes mesmo do Hajime ter apertado o gatilho. Claro que era impossível para o urso ver a bala que o Hajime tinha disparado, mas a sede de sangue do Hajime tinha o feito esquivar reflexivamente. Ele não era o monstro mais forte desse piso por nada. Ele tinha reagido mais rápido do que seu corpo enorme, de dois metros de comprimento, indicava ser possível. Contudo, mesmo assim ele não tinha conseguido evitar completamente o ataque. A bala tinha raspado seu ombro, arrancando um pedaço dele.

O Garrurso olhou com raiva para o Hajime, com sangue manchando o pelo em torno do seu ombro. Parecia que ele finalmente o via como um inimigo, e não só como comida.

— Graaaooooo!!! — Com um rugido furioso, ele investiu contra o Hajime. O solo despedaçou quando suas pernas do tamanho de um tronco de árvore esmagaram o chão do corredor, fazendo um espetáculo verdadeiramente inspirador.

— Hahaha! Assim mesmo! Eu sou seu inimigo! Não apenas uma presa a ser caçada! — Apesar do quão sinistro o Garrurso parecia quando se enfadou com o Hajime, seu sorriso não vacilou.

Esse era o momento da verdade. Era o momento que iria decidir se o Hajime poderia superar o monstro que tinha comido seu braço esquerdo, esmagado sua alma, e sido o propulsor da sua transformação. Um ritual necessário que ele precisava resolver, se quisesse avançar. Algo dentro dele o fazia sentir que ele iria desistir de vez se falhasse nessa altura. Ele não conseguia explicar como ou por que, apenas sabia.

Ele mirou, disparando o Donner uma vez mais no urso investindo. Ele tinha apontado diretamente na sua testa, mas o Garrurso de alguma forma conseguiu rolar para o lado, mesmo enquanto investindo à frente. Não fazia sentido algo tão grande ser tão rápido.

Ele correu até o alcance do Hajime e golpeou na direção dele com uma das suas garras enormes. A extremidade das suas garras pareceram distorcer ligeiramente quando desceram. Isso está relacionado com a sua magia especial?

O Hajime se recordou que o coelho que tinha supostamente se esquivado do golpe do urso ainda sim foi cortado ao meio. Então, em vez de apenas desviar um pouco para o lado, ele pulou para trás com toda sua força.

— Hah. — Um instante depois, a garra do urso passou por onde o Hajime tinha estado, seguida por um vendaval feroz. Ele suspirou de dor, depois olhou para baixo e viu cortes superficiais em seu peito. Ele não tinha conseguido esquivar completamente. Seu tempo de reação não foi capaz de acompanhar o rápido aumento de suas capacidades físicas.

O Garrurso rugiu, zangado por sua presa ainda estar viva, e em um piscar de olhos, ele golpeou uma segunda vez seu inimigo.

— Porra, você é rápido! — O Hajime amaldiçoou sem perceber quando viu um segundo par de lâminas de vento do urso vir sobre ele. Ele instantaneamente usou a Aerodinâmica para fugir para o ar enquanto disparava um terceiro tiro. Contudo, o Garrurso mudou de direção instantaneamente assim que viu o clarão vermelho do Donner, ignorando completamente as leis da inércia. Analisando melhor, o Hajime viu sulcos profundos no chão e percebeu que ele deveria ter usado suas garras como um fulcro para girar. Ele era certamente muito mais inteligente e muito mais ágil do que uma besta normal.

— Gaaaaaaoo!!! — Ele rugiu outra vez, depois agitou suas garras em um movimento em cruz em direção ao Hajime, que ainda estava no ar. Alarmes dispararam dentro da cabeça do Hajime. Sem perder tempo pensando, o Hajime ativou tanto a Aerodinâmica e o Passo Supersônico ao mesmo tempo, então correu para longe do lugar que estava.

Ele sentiu uma rajada de vento roçar sua coxa, e um segundo depois a parede atrás dele ganhou uma rede de sulcos abertos.

— Ugh. Maldito bastardo. Você também pode fazer isso? — O Hajime gemeu enquanto caia no chão. Ele acertou o chão desequilibrado, e caiu. Ele levantou na hora, mas cambaleou quando uma dor aguda atravessou sua coxa. Parecia que o Garrurso ainda podia lançar as garras de vento.

A expressão do Hajime se torceu em uma careta dorida, mas ele não perdeu tempo pensando muito nisso. Ele não teve tempo para cuidar de suas feridas, já que o urso tinha começado a se aproximar mais uma vez. Ele apertou o gatilho de novo, disparando duas vezes em rápida sucessão. Mesmo com a sua agilidade não-humana, o Garrurso não conseguiu se esquivar de ambas as balas, e tomou dois tiros; um na têmpora e outro na costela. Embora tivesse conseguido evitar ferimentos fatais, ele mesmo assim tinha sido retirado do curso da sua investida. A distração foi o suficiente para impedir a próxima enxurrada de garras de vento de ser lançada.

No entanto, embora ele tivesse se desviado um pouco do curso, o Garrurso ainda investia à frente como uma bala de canhão. Mesmo que ele não mais estivesse diretamente na trajetória do urso, sua perna ferida o impediu de se esquivar, então o urso ainda assim conseguiu colidir nele. Foi como ser atingido por um caminhão. O Hajime foi arremessado para trás pela força da investida do urso.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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