Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 5 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 5 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 5 de 11)

 

Foi, é claro, o Hajime que tinha aprisionado os quatro lobos. Já que tinha resolvido revidar, ele tinha passado cada dia treinando incessantemente, ignorando sua dor e fome. A Ambrósia estendia sua vida e restaurava a mana, então ele foi capaz de concentrar em sua transmutação vinte e quatro horas por dia. Ele trabalhou em sua velocidade, sua precisão e seu alcance. Então ele percebeu que se saísse para fora com seu nível de habilidade atual, teria morrido instantaneamente. Então ele fez a sua base onde a Gema Divina estava, e aperfeiçoou a única arma que possuía. Essa arma era, naturalmente, a transmutação.

Embora ele tivesse ignorado sua dor enquanto treinava, ela só continuava a crescer com o passar do tempo. Mas essa dor só estimulava sua determinação, e ele redobrou seus esforços para melhorar sua transmutação. Graças ao seu treinamento centrado, suas habilidades aumentaram muito mais rapidamente do que elas tinham até o momento, e agora ele era capaz de transmutar há mais de três metros. Lamentavelmente, seu talento para com a própria magia de terra não tinha aumentado nada.

Uma vez que tinha decidido que tinha treinado o suficiente, ele criou um recipiente de pedra pequeno em que guardou um pouco de Ambrósia, e começou a vaguear pela masmorra, transmutando, procurando pelo seu primeiro alvo.

Foi aí que ele tinha encontrado a alcateia de Lobos Cauda-dupla. Ele os tinha seguido silenciosamente por um tempo. É claro, ele quase foi visto inúmeras vezes, mas toda vez deu um jeito de transmutar as paredes ao seu redor e permanecer discreto. Assim, no momento em que os quatro se separaram para ir aos seus pontos de emboscada, ele tinha transmutado a parede e arrastado um dos lobos com isso.

— Então, continuam vivos, não é? Bem, eu acho que não posso matar nada diretamente com a transmutação. Talvez eu pudesse fazer estacas saírem da terra, mas elas não teriam a força suficiente para matar os monstros das profundezas do labirinto. — O Hajime sorria ferozmente enquanto espiava abaixo os monstros através de um buraco pequeno aos seus pés. Os lobos estavam presos dentro da própria parede, e não podiam se mexer um centímetro. Eles estavam todos choramingando baixinho, com pânico evidente em seus olhos.

Ele tinha, na verdade, tentado atacar um monstro transmutando uma estaca para o apunhalar por baixo antes, mas nem sequer teve força suficiente para penetrar a sua pele. Isso era, afinal de contas, uma coisa mais no domínio da magia da terra e não da transmutação. No fim, ainda era uma habilidade utilizada para processamento de minerais e produção. Foi por isso que prender eles foi o melhor que pôde fazer com ela.

— Eu poderia apenas sufocar vocês aqui… mas não sou paciente o suficiente para esperar tanto tempo. — Os olhos do Hajime tinham o brilho de um predador para eles nessa altura.

O Hajime colocou a mão direita na parede e transmutou. Ele cortou partes da pedra aos poucos, se concentrando na imagem em sua mente para ter a certeza que seu trabalho ficaria preciso. Por fim, ele foi capaz de fazer uma lança com ponta em espiral. Ele então começou a trabalhar na haste. Ele adicionou um cabo onde a pegada normalmente seria.

— Então, agora, hora de um pouco de escavação! — O Hajime apontou sua lança em direção aos lobos abaixo quando disse isso. Ele forçou para baixo, e sentiu seus pelos e peles defletir a ponta da sua lança.

— Então não posso os transpassar, hein? Bem, eu esperava isso, no entanto. — Por que ele não tinha simplesmente elaborado uma faca ou espada? Era porque, geralmente, quanto mais forte um monstro fosse, mais resistente era sua pele. Claro que havia espécies que eram exceções à regra, mas como o Hajime passou todo o tempo no castelo estudando, ele sabia que uma faca normal ou espada não iria penetrar a pele dos monstros nesse nível.

E foi por isso que ele começou a torcer o cabo que ele fez, enquanto aplicava uma pressão descendente constante. A ponta em forma de espiral começou a girar quando ele torceu. Ele tinha feito uma broca para perfurar a pele grossa dos monstros.

Ele forçou o peso do seu corpo inteiro sobre a broca abaixo enquanto a girava com a mão direita. Pouco a pouco, a broca começou a penetrar a pele grossa do lobo.

— Graaaaah!? — O lobo uivou de dor.

— Dói, não é? Bem, não vou pedir desculpas por isso. Tenho que fazer isso para viver afinal. Você iria me comer se tivesse a chance, então estamos quites. — Ele falou com o lobo enquanto continuava sua perfuração lentamente. O lobo tentou se esforçar, mas não conseguiu se mover nada devido ao túmulo de pedra.

Por fim, a broca perfurou a carne do lobo. E o Hajime rompeu impiedosamente suas entranhas. O lobo gritava agoniado enquanto morria. Seus uivos duraram por algum tempo, até que de repente, espasmou e ficou imóvel.

— Pronto, com isso eu tenho finalmente um pouco de comida. — O Hajime sorria alegremente enquanto perfurava os outros três lobos até a morte. Assim que todos estavam mortos, o Hajime transmutou seus cadáveres até ele, então começou a retirar desajeitadamente sua pele com uma mão.

Depois disso, movido pela sua fome, ele começou a os devorar. Ele tinha uma aparência horrível enquanto rasgava a carne deles, iluminado vagamente pela luz verde dos cristais. A luz verde que definiu seu inferno. Ele devorou avidamente o lobo, cada pedaço do animal que tinha acabado de matar.

— Meee… Gah, tem gosto de merda! — Ele bradava maldições, mas isso não o impediu de comer os lobos. Toda a sua mente estava concentrada em sua refeição.

A carne era dura e fibrosa, e o sangue fresco empapava sua garganta, mas ele rasgava a carne e engolia muito alegremente no entanto. Era a primeira vez degustando uma comida em duas semanas. Seu estômago protestou contra a infusão repentina de carne, e resistiu à ingestão. Mas o Hajime não se importava com o que seu estômago pensava, então ele continuou a devorar os lobos.

Ele parecia mesmo um monstro selvagem. Qualquer homem moderno teria achado sua aparência atual repulsiva.

A carne cheirava à fresca e nojenta, trazendo lágrimas aos seus olhos, mas o Hajime sentia a comida aliviar a sua dor excruciante de fome, e comparado com isso, tal pequeno inconveniente era nada. Ele nunca tinha imaginado que comer carne pudesse ser uma experiência tão eufórica. Ele comeu, comeu e comeu.

Horas passaram, e ele ainda continuava a comer. Ele engolia tudo com Ambrósia, se os sacerdotes da Santa Igreja soubessem que sua refeição bárbara era acompanhada com tal bebida sagrada, eles teriam desmaiado. Não obstante, por volta do tempo que ele estava começando a finalmente se sentir cheio, o Hajime começou a notar uma mudança ocorrendo dentro do seu corpo.

— Ah? Gah!? Agaaaah! — Uma dor abrasadora o atravessou. Parecia como se algo estivesse o devorando por dentro. Com o passar do tempo, a dor só piorou.

— Guaaaaaaaah!!! O-O que está… Gaaaaaaah!!! — Era uma agonia insuportável. A dor estava tentando o comer de dentro para fora. O Hajime se debatia no chão, gritando em terror. A dor era bem, bem pior do que as dores de fome que ele esteve sentindo anteriormente.

Com uma mão trêmula, o Hajime pegou um frasco de pedra do seu bolso, arrancou a tampa, e derramou seu conteúdo em sua garganta. A Ambrósia fez o seu trabalho, e a dor começou a diminuir, mas depois, eventualmente, voltou mais uma vez.

— Hiii… Gugaaaaaah! Por que… não quer curar… Gaaaaah! — Juntamente com a dor, o Hajime começou a sentir seu corpo latejar. Começou a pulsar, como um grande organismo. Na verdade, ele podia ouvir seu corpo ranger também.

Contudo, um instante depois, a Ambrósia a expulsou e começou a reparar seu corpo. Assim que a cura acabou, a dor retornou. Depois ele era curado de novo.

Graças à Ambrósia, ele nem podia desmaiar. Os poderes de cura tinham saído pela culatra.

O Hajime gritava incoerentemente, batendo a cabeça contra a parede repetidamente, mas a dor não mostrava sinais de acabar. Ele implorava para alguém terminar com a sua dor, mas, é claro que ninguém concedeu seu desejo.

Por fim, o corpo do Hajime começou a metamorfosear.

A cor foi descolorida do seu cabelo. Ele estava incerto se foi da dor ou inteiramente por outras razões, mas seu cabelo negro distintamente Japonês lentamente ficou branco. Depois, seus músculos e ossos começaram a crescer ligeiramente, lhe dando uma aparência tonificada. Veias vermelhas percorreram o interior do seu corpo, embora ele não tivesse ciente disso naquele momento.

Existia um fenômeno conhecido como sobrecompensação. Quando alguém tentava treinar a musculatura, seus músculos realmente rompiam, e o corpo simplesmente regenerava eles um pouco mais forte para compensar. E essa mesma coisa estava acontecendo com o Hajime.

Uma carne de monstro era veneno aos humanos. Por causa dos cristais de mana destilado em seus sangues, os órgãos especializados dos monstros lhes permitiam interagir diretamente com a magia, e lhes davam força física superior. A mana que circulava através dos monstros afetava até seus ossos e músculos.

Essa mana transformada permitia aos monstros usarem magia sem encantamentos ou círculos mágicos, apesar de que ninguém sabia exatamente como. Detalhes à parte, a mana dos monstros eram veneno para os humanos, e matava qualquer um que tentasse a ingerir. Ela devoraria a pessoa de dentro para fora, destruindo suas próprias células.

Houve pessoas que tinham tentado comer monstros no passado e tinham todos, sem exceção, morrido. Aliás, o Hajime tinha lido sobre isso, mas sua fome extrema tinha o levado a esquecer.

Se o Hajime tivesse apenas comido a carne do lobo, ele teria morrido agonizando, mas rapidamente. Mas houve algo que tinha evitado isso. E esse algo foi a Ambrósia. Ela o curou sempre que seu corpo era destruído. Consequentemente, seu corpo foi forçado a evoluir em um ritmo anormalmente rápido.

Ele era rompido, depois reparado. Rompido, então reparado. Com cada ciclo, seu corpo mudava aos poucos. Quase como um tipo de reencarnação. Seu corpo humano frágil foi forçosamente transformado em algo mais forte, e ele passou por um ritual de renascimento. Poderia se dizer que os gritos do Hajime eram semelhantes aos gritos de um recém-nascido.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
FONTE
Cores: