Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 3 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 3 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 3 de 11)

 

Ele tinha sido ridicularizado como incompetente e não tinha nenhuma afinidade mágica ou talentos físicos para ajudar, então o Hajime, o mais fraco entre todos, contava com apenas o único poder que possuía. Uma habilidade que era normalmente só utilizada para fabricar armaduras e armas.

O Hajime, que possuía uma classe geralmente destinada apenas à ferreiros, reagia desesperadamente. Dado que ele tinha sido ridicularizado pela sua falta de força, ele tinha usado todos os seus conhecimentos para pensar em formas únicas para dar utilidade ao seu poder. Seus resultados tinham sido tão heterodoxos que tinha surpreendido até os cavaleiros, e sua devoção fervorosa à sua única habilidade tinha até feito ele um pouco útil para seus outros colegas de classe. Foi a razão pela qual, mesmo nas profundezas do inferno, o Hajime contava instintivamente com essa habilidade, e foi também por essa razão que essa habilidade foi capaz de o salvar.

Sua mana azul-celeste brilhou brevemente, e uma depressão se abriu na parede atrás dele. O Hajime quase não evitou a pata esticada do urso e tombou para o buraco que ele tinha criado atrás de si.

O urso rugiu, furioso que sua presa tinha conseguido fugir bem sob o seu nariz.

— Graaaaaaaaaah!!! — Ele envolveu lâminas de vento em torno de suas garras mais uma vez, depois levou sua pata para dentro do buraco que o Hajime tinha feito por si mesmo. A parede chiava furiosamente enquanto as garras do urso escavavam sulcos nela.

— Aaaaaaah! Transmutar! Transmutar! Transmutar! — A mente em pânico do Hajime registrou o rugido do urso e o som das paredes sendo destruídas, então ele continuou transmutando sucessivamente, tentando pôr o máximo de distância possível entre ele e o urso.

Ele não se atreveu a olhar para trás nem por um segundo. Ele continuou transmutando. E rastejando em direção a cada nova abertura que ele fazia. A dor de perder seu braço esquerdo foi temporariamente esquecida. Seus instintos de sobrevivência tinham surgido, e ele transmutava como se sua vida dependesse disso. O qual, francamente, dependia.

Ele não tinha forma de ver quão longe ele tinha se arrastado. O Hajime não fazia ideia; ele só sabia que já não conseguia ouvir mais o urso vociferando atrás dele. Na verdade, ele não tinha ido para tão longe. Transmutação era apenas eficaz dentro de dois metros do seu alvo (isso ainda era o dobro do que tinha sido inicialmente), e a perda de sangue tinha o retardado consideravelmente. Ele não seria capaz de continuar a se mover por muito tempo.

De fato, ele já estava à beira da inconsciência. Ainda assim, ele espremeu suas últimas forças para se manter rastejando para frente. No entanto…

— Transmutar… Transmutar… Transmutar… Transm… — Ele continuou entoando o encantamento, mas a parede à frente dele se manteve inalterada. Sua mana tinha esgotado antes de sua consciência. Drenado de toda a sua força, sua mão caiu da parede e ele colapsou no chão.

O Hajime usou cada pedaço de sua força de vontade para se manter consciente, rolando sobre suas costas. Ele olhou vagamente para o teto escuro acima dele. Não havia cristais verdes lá para iluminar o ambiente.

O Hajime começou a recordar os acontecimentos do seu passado. Acho que é isso que eles querem dizer quando dizem que a vida nos passa à frente dos olhos. Ele acompanhou sua vida, desde a pré-escola, o fundamental I, o ensino fundamental II, e então, finalmente até o ensino médio. Memórias passaram, até que finalmente elas pararam… na noite em que ele conversou com a Kaori. Ele se lembrou da luz da lua se espalhando da janela, e a promessa que ele tinha feito com ela.

Sua consciência finalmente se desvaneceu quando ele se lembrou dessa boa recordação. Mas antes que ele naufragasse totalmente na inconsciência, ele sentiu água pingando em sua bochecha. Elas pareciam como lágrimas de alguém.

Pinga… Pinga… A água escorreu pela sua bochecha e pingou em sua boca. Os sentidos fracos do Hajime começaram lentamente a ficar mais intensos. Desnorteado, ele lentamente abriu os olhos.

Estou vivo…? Alguém me salvou? Ele se levantou, só para bater com a cabeça no teto baixo.

— Ouch!? — Ele se lembrou tarde demais que tinha feito o teto acima dele com meros cinquenta centímetros de altura. O Hajime levantou os braços até o teto para transmutar um buraco maior. Todavia, apenas um único braço entrou no seu campo de visão, e ele gritou surpreso.

Ele olhou para o tronco do seu braço esquerdo incrédulo por um momento antes de recordar que ele o tinha perdido recentemente. Uma pontada aguda de dor desceu onde seu braço esquerdo deveria ter estado. Ele estava experimentando a dor fantasma pela primeira vez. Sua face retorceu de angústia e ele reflexivamente agarrou seu braço esquerdo, só para perceber… Que havia um ligeiro inchaço no braço que tinha sido cortado, e o ferimento já tinha fechado.

— C-Como…? Estava sangrando tanto… — Estava escuro demais para ver, mas se houvesse alguma luz ali, teria sido claro que o Hajime estava deitado em uma poça do seu próprio sangue. Na verdade, o Hajime tinha perdido tanto sangue que ele deveria ter morrido por todas as razões.

Ele tocava ao redor com a mão direita e sentiu a sensação pegajosa de sangue à sua volta. Era recente o suficiente para não ter secado. Com isso, ele foi capaz de confirmar que seu sangramento não tinha sido apenas um sonho, e que havia passado apenas alguns minutos desde que o Hajime perdeu a consciência.

E, no entanto, sua ferida estava completamente fechada, e enquanto o Hajime ponderava como tal coisa era possível, ele sentiu a água pingar em suas bochechas e boca novamente. Ele se sentiu um pouco revitalizado quando as gostas deslizavam pela sua garganta abaixo.

— Não me diga… que foi isso que me salvou? — O Hajime ainda estava um pouco zonzo com a perda de sangue e as dores fantasmas, mas ele estendeu a mão até à origem da água e transmutou a terra em torno dela.

Mesmo que um pouco instável, ele continuou transmutando cada vez mais fundo na parede. O líquido estranho que ele agora percebeu que não poderia ter sido água, continuou escorrendo das fendas na pedra. Curiosamente, ele restaurava sua mana também, então Hajime foi capaz de continuar transmutando sem ficar sem energia. O Hajime continuou delirantemente transmutando, procurando decididamente pela fonte da água.

Eventualmente, o gotejamento lento se transformou em um fluxo mais rápido, e o Hajime chegou finalmente a origem do líquido.

— Isso… é… — A fonte do líquido era um cristal do tamanho de uma bola de basquete que emitia uma luz azul-clara.

O cristal estava enterrado na parede à volta, e o líquido estava saindo por debaixo dele. Ele tinha uma aura de beleza impressionante com isso. A luz que ele emitia era só um tom mais escuro que uma água-marinha. O Hajime olhou para ele maravilhado, e sua dor foi momentaneamente esquecida. Então, como se atraído por ele, colocou a boca no cristal.

Ao fazer isso, a dor, a confusão que tinha estado em sua mente, e a fadiga, tudo deixou seu corpo. Como ele tinha suspeitado, foi o líquido desse cristal que tinha salvado a vida do Hajime. O que significava que o líquido continha algum tipo de agente curativo. Sua dor fantasma nunca poderia ser curada definitivamente, e o sangue que ele tinha perdido não ia voltar, mas o resto das feridas e toda a sua mana foi restaurada em um instante.

Embora o Hajime não soubesse, o cristal era na verdade uma “Gema Divina”. As Gemas Divinas eram cristais raros, e considerados serem um dos maiores tesouros históricos do mundo. As pessoas dos tempos modernos pensavam ser uma lenda perdida.

As Gemas Divinas eram criadas quando um grande amontoado de mana se reuniam e cristalizavam ao longo de milhares de anos. Elas variavam entre trinta a quarenta centímetros de diâmetro, e então ao longo de algumas centenas de anos elas saturavam mana liquefeita e despejavam de volta à terra.

O líquido que elas excretavam era conhecido como Ambrósia, e ela curava todas as feridas. Ela não poderia regenerar membros faltando, mas estendiam supostamente a vida desde que a pessoa continuasse a bebendo, e era também conhecido como o elixir da vida. A lenda alegava que o Ehit curava as massas com essa mesma Ambrósia.

Ele se deu conta que simplesmente escapou por pouco de uma morte dolorosa, então o Hajime escorregou para baixo na parede. Ele se abraçou tremendo, depois colocou seu rosto entre os joelhos, o medo da morte ainda estava bem presente na sua mente. Ele já não tinha a energia para tentar escapar. O esforço constante e o medo tinham finalmente o cansado.

Se fosse só inimigos que ele tivesse de enfrentar, então ele talvez poderia conseguir dar um jeito de alguma forma. Ele poderia ter se regozijado com o fato de ainda estar vivo, e então voltar para cima.

Porém, aquele modo que o urso olhou para ele tinha o arrasado. Aqueles eram os olhos de um predador que via o Hajime como nada mais que comida. Os olhos que a maioria dos humanos, que estavam no topo da cadeia alimentar, jamais tinham sonhado. Aqueles olhos, e a visão do urso mastigando por conta própria seu braço, tinham arrasado completamente o espírito do Hajime.

Alguém… qualquer pessoa… por favor, me salve… Mas ele estava fundo nas profundezas do inferno, então não havia como seus pensamentos alcançar alguém. Ele não sabia quanto tempo é que ficou ali sentado. Mas, durante muito tempo, ele apenas se debruçou em posição fetal, implorando por salvação que sabia que não viria.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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