Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 2 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 2 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 2 de 11)

 

— Graaaah!! — O lobo rugiu, e descargas elétricas voaram em direção ao coelho. Mas com passos ágeis, o coelho rapidamente se esquivou das descargas elétricas. Então, no momento em que os ataques elétricos pararam, o coelho saltou para frente e atingiu o último lobo com um chute salto mortal. A cabeça do lobo se dobrou para trás com um estalo nojento, e ele caiu no chão, completamente quieto. Era mais um lobo com o pescoço quebrado.

O Coelho Mestrepernada soltou outro grito.

— Kyu! — Isso é supostamente um grito de vitória? Depois disso, ele começou a coçar as orelhas com sua pata.

Você só pode estar brincando comigo. O Hajime sorriu incrédulo, com seu corpo ainda completamente imóvel. “Perigoso” não fazia jus a besta. Essa coisa fez os Soldados Traum que o Hajime e os outros tinha lutado antes parecer nada mais que esqueletos de brinquedo. De fato, podia até ser mais perigoso que o Beemote que eles tinham lutado, já que os padrões de ataques do Beemote tinham pelo menos sido fáceis de entender.

O Hajime tremia de medo, sabendo que sua vida estaria perdida se ele fosse descoberto. Devido ao seu medo, ele inconscientemente deu um passo para trás. Mas isso foi um erro.

Tufft. O ruído reverberou por toda a caverna.

Ele tinha acidentalmente chutado uma pedra quando tinha recuado. Ele não conseguiu acreditar que tinha cometido um erro tão básico. Uma enxurrada de suor frio estava escorrendo pela sua testa depois do ocorrido. O pescoço do coelho rangia como uma máquina mal lubrificada enquanto se virava para olhar na direção da pedra chutada.

O Coelho Mestrepernada viu claramente o Hajime. Seus brilhantes olhos vermelhos encararam ele. Seu corpo inteiro se enrijeceu, como um veado à frente dos faróis. Seu cérebro estava gritando para correr, mas parecia que seus nervos tinham sido todos cortados, então seu corpo se recusava a ouvir.

O coelho virou todo o seu corpo, depois começou a reunir força para um pulo. Aí vem ele! O Hajime conseguiu instintivamente supor o momento do salto do coelho. A velocidade do pulo foi tão ridiculamente rápida que deixou miragens para trás.

Conduzido puramente pelo instinto, o Hajime se jogou para o lado. Instantes depois, um chute com a força de uma bola de canhão se chocou no chão, onde o Hajime tinha estado parado. A força dele arrasou o chão abaixo. O Hajime rolou e rolou no chão duro antes de parar em uma posição sentada. Seu rosto empalideceu quando viu o chão pulverizado e ele começou rapidamente a correr.

O coelho calmamente se levantou e mergulhou em direção a ele com outro salto avassala-chão. O Hajime transmutou apressadamente uma parede atrás dele, mas o coelho facilmente a rebentou e focou outro chute no Hajime. Ele instintivamente moveu o braço esquerdo para se proteger do golpe. Isso de alguma forma ajudou ele a evitar ficar com o rosto despedaçado, mas a onda de choque do chute o mandou voando para trás. Ondas de dor excruciante percorreram seu braço esquerdo.

— Gaaaah! — Quando olhou para baixo, ele viu que seu braço estava balançando em um angulo não natural. Seus ossos tinham sido completamente destruídos. Ele se agachou de dor, depois olhou para o coelho. Dessa vez ele não estava investindo à frente, mas saltando lentamente em sua direção. Ele não tinha certeza se era só sua imaginação, mas parecia quase como se o coelho estivesse o menosprezando. Estava brincando com ele.

Mas mesmo assim, tudo o que o Hajime podia fazer era continuar incerimoniosamente a recuar. Finalmente, o Coelho Mestrepernada parou bem na frente dele. Ele olhava para o Hajime como se olhando para um verme. Em seguida levantou uma de suas patas bem alto, como se quisesse se exibir antes de abater sua presa.

Então é aqui que eu morro… O Hajime pensou, se afundando nas profundezas do desespero. Ele olhou para o coelho com olhos abdicados. Sua pata desceu, juntamente com um vu-uu-uu do vento.

O Hajime fechou os olhos, apavorado com o que estava por vir.

— …… — Contudo, o golpe que ele estava esperando nunca chegou.

O Hajime abriu timidamente os olhos para ver a pata do coelho centímetros do seu rosto. O coelho tinha parado pouco antes de lhe acertar. O Hajime se desesperou, pensando que o coelho pretendia brincar com ele ainda, mas depois notou que havia algo de errado com isso. Um olhar mais atento revelou que o coelho estava tremendo.

O-O que? Por que é que está tremendo? Até parece que está assustado… Não era “quase”; ele estava realmente assustado.

Um novo monstro tinha aparecido do lado direito do corredor que o Hajime tinha tentado escapar. E o monstro citado era enorme. Tinha mais de dois metros de altura, e como todos nesse piso até agora, tinha pelo branco. E tal como os outros, tinha veias de mana vermelho-escura percorrendo seu corpo. A coisa mais próxima que se parecia era um urso. Não obstante, ao contrário de um urso, ele tinha antebraços enormes que iam até seus pés, onde terminava em terríveis garras afiadas com mais de trinta centímetros de comprimento.

O Garrurso tinha se aproximado enquanto o coelho tinha ficado concentrado no Hajime, e olhava feio para ambos. Um momento de silêncio envolveu o corredor. O coelho tinha ficado rígido com medo e parou de se mexer. Ou melhor, não conseguia se mexer. Ele estava exatamente na mesma situação que o Hajime tinha estado poucos momentos atrás. Ele estava olhando fixamente para o urso, completamente imobilizado.

— …Grrrrr. — O urso deu um rosnado baixo, como se cansado de ver as duas estátuas imóveis.

— O qu…!? — O coelho rapidamente deu meia-volta e começou a saltar para longe o mais rápido possível. Os pulos explosivos que ele tinha usado para aniquilar inimigos estavam em vez disso, sendo utilizados para voar para um lugar seguro o mais rápido possível.

Todavia, escapar ainda foi infrutífero.

O Garrurso correu em frente, surpreendentemente rápido para a sua estrutura grande, e golpeou com a pata no Coelho Mestrepernada. O coelho se esquivou agilmente, torcendo seu corpo para evitar a pata com garras afiadas.

Pareceu para o Hajime que o coelho de alguma forma conseguiu desviar perfeitamente, evitando mesmo um golpe de raspão.

No entanto… Assim que o coelho aterrissou, um esguicho que sangue jorrou, e as duas metades do coelho tombaram em direções diferentes.

O Hajime assistiu em estado de choque. Esse coelho esmagadoramente poderoso tinha sido morto tão facilmente. Não tinha sequer tido tempo para iniciar um combate. Hajime percebeu porque ele tinha estado tão assustado e corrido há pouco. Esse monstro estava em um nível completamente diferente. Mesmo as habilidades de artes marciais do coelho Capoeirista tinham sido inúteis diante da sua força.

O urso calmamente se aproximou do cadáver do coelho, perfurando uma parte dele com a sua garra, e começou o devorar, fazendo sons molhados repugnantes.

O Hajime estava sem se mexer. A combinação do medo e o olhar penetrante do urso o manteve preso no lugar. Ele manteve os olhos no Hajime mesmo enquanto mastigava o coelho.

Ele terminou o coelho em três grandes mordidas, depois virou o corpo e rugiu para o Hajime. Seus olhos disseram ao Hajime tudo o que tinha de saber. A próxima refeição do urso seria ele.

O pânico se apoderou de sua mente quando ele olhou nos olhos do predador.

— Aaaaaagh!!! — Ele deu um grito confuso e esqueceu momentaneamente da dor em seu braço esquerdo quebrado quando se lançou em uma tentativa de fuga desesperada.

Entretanto, era impossível para o Hajime fugir de um inimigo, nem mesmo aquele coelho tinha sido capaz de fugir. Ele ouviu o som do vento zunindo, e um instante depois alguma coisa dura o acertou no lado esquerdo. Ele foi arremessado contra a parede.

— Gahaah! — O Hajime tossiu violentamente quando todo o ar foi expulso de seus pulmões, antes de deslizar para baixo da parede para cair em detritos no chão. Sua visão desfocou, mas ele ainda conseguia distinguir o urso mastigando algo.

Mas ele não podia distinguir perfeitamente o que era. Ele já tinha terminado de comer o coelho, então não poderia o ser. Então ele percebeu que o urso estava mastigando um braço muito familiar. Ainda confuso, o Hajime olhou para o seu lado esquerdo, que tinha se tornado inexplicavelmente mais leve. Ou, mais especificamente, para onde o seu braço esquerdo deveria ter estado…

— H-Hã? — Sua expressão se enrijeceu, e ele inclinou a cabeça em perplexidade. Por que eu não tenho um braço? Por que é que há tanto sangue jorrando? Sua mente, não, todo o seu ser estava rejeitando a realidade que seus olhos viam. Mas ele não podia fingir ignorância por muito tempo. A dor excruciante por ter o braço arrancado finalmente chegou, o trazendo de volta para a realidade rapidamente.

— Aaaaaaaarrrgh!!! — O grito de angústia do Hajime ecoou por todo o labirinto. Seu braço esquerdo tinha sido arrancado completamente do cotovelo para baixo.

Isso foi a habilidade mágica especial do urso. Suas garras estavam envolvidas em lâminas de vento, e podia cortar trinta centímetros além do que os seus comprimentos sugeriam. Tudo isso considerado, foi um milagre o Hajime só perder o braço. O Hajime não tinha certeza se era porque o urso estava brincando com ele também, ou era apenas sorte, mas esse último ataque devia o ter cortado ao meio.

Após terminar de devorar seu braço, o urso lentamente começou a andar em direção ao Hajime. Ao contrário do coelho, ele não parecia estar desdenhando o Hajime. Em vez disso, meramente o via como um alimento, nada mais.

Ele estendeu lentamente uma de suas garras na direção do Hajime. O fato dele não o ter feito em pedaços, dizia ao Hajime que o urso queria o comer vivo.

— Aaaaaah! Gaaaah! T-Transmutar! — Com seu rosto coberto com lágrimas, ranho, e baba, o Hajime gritou seu feitiço de transmutação e colocou sua mão direita na parede atrás de si. Ele mal estava mais ciente de suas próprias ações.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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