Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 11 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 11 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 11 de 11)

 

A Kaori se agarrava a Shizuku como um náufrago se agarraria à uma rocha, chorando tão alto que sua voz se tornou rouca. Tudo o que a Shizuku podia fazer por sua melhor amiga era a abraçar tão forte quanto possível. Orar para que ela pudesse de alguma forma, aliviar a dor no coração da Kaori.

As duas ficaram assim por horas, até que o limpo céu azul tinha sido colorido pelo vermelho-sangue do pôr do sol. A Kaori fungou ligeiramente nos braços da Shizuku, e se mexeu um pouco. A Shizuku olhou angustiadamente para a Kaori.

— Kaori…

— Shizuku-chan… O Nagumo-kun… ele caiu, não é…? Ele não está mais aqui, está?

A Kaori sussurrou com uma voz trêmula. A Shizuku não queria lhe dar falsas esperanças. Se ela dissesse a Kaori que ele ainda estava vivo, isso poderia aliviar a sua dor a curto prazo. Mas isso poderia traumatizar a Kaori para sempre quando ela finalmente descobrisse a verdade. E a Shizuku não poderia suportar ver a sua melhor amiga sofrer mais do que já estava.

— Isso mesmo.

— Naquela hora, parecia que o Nagumo-kun foi atingido por uma de nossas bolas de fogo… Quem a lançou?

— Eu não sei. Todo mundo está tentando esquecer o que aconteceu. É muito aterrorizante pensar sobre elas. Porque se o fizessem, os únicos que fizeram isso…

— Entendi.

— Você os odeia por isso?

— …Não tenho certeza. Se eu descobrisse quem foi… Eu definitivamente o odiaria. Mas… se ninguém sabe… então talvez seja melhor assim. Porque se eu descobrisse, não conseguiria me segurar…

— Entendi… — A Kaori falou hesitantemente, com seu rosto ainda entre os braços da Shizuku. Subitamente, ela limpou as lágrimas dos seus olhos vermelhos inchados, e olhou acima para Shizuku, com sua determinação renovada.

— Shizuku-chan, eu não acredito nisso. O Nagumo-kun tem de estar vivo em algum lugar. Não acredito que ele está morto.

— Kaori, você… — A Shizuku olhou tristemente abaixo para a Kaori. Contudo, a Kaori agarrou as bochechas da Shizuku com as mãos, então prosseguiu falando:

— Eu sei. Eu sei que é estúpido acreditar que ele sobreviveu à queda… Mas, sabe, não há provas de que ele morreu também. E daí se as chances de ele ter sobrevivido são de uma em um milhão? Ainda continua não sendo zero… Então eu escolho acreditar.

— Kaori…

— Eu vou me tornar mais forte. Forte o suficiente para o proteger até do que há lá embaixo, e então eu vou ir procurar por ele. Eu não vou descansar até que tenha confirmado com os meus próprios olhos… o que aconteceu com o Nagumo-kun… Shizuku-chan.

— O que foi?

— Você vai me ajudar?

— …… — A Shizuku encontrou o olhar inabalável da Kaori. Não havia sinais de loucura ou desespero em seus olhos. Apenas uma vontade inquebrável, uma que não descansaria até que ela tivesse confirmado a verdade por si mesma. Nada poderia a fazer mudar de ideia quando a Kaori ficava assim. Ela era teimosa demais até mesmo para lidar com a própria família, quanto mais com a Shizuku.

Honestamente, era provavelmente seguro dizer que a possibilidade do que a Kaori se referia poderia muito bem ser zero. Seria natural assumir que alguém que pensasse de forma diferente estaria simplesmente tentando escapar da realidade.

Até mesmo seus amigos de infância, o Kouki e o Ryutarou, poderiam provavelmente tentar dizer a Kaori que ela não estava agindo de forma lúcida. Mas foi precisamente por isso que apenas uma única resposta veio a mente da Shizuku.

— Claro que vou. Até que você tenha encontrado uma resposta que puder aceitar, pelo menos.

— Shizuku-chan! — A Kaori abraçou a Shizuku e agradeceu ela várias vezes.

— Não preciso de nenhum agradecimento. Somos melhores amigas, se lembra? — A Shizuku respondeu, sendo a samurai viril. O título que as revistas lhe tinham dado era bastante adequado.

Nesse momento, a porta do quarto de repente se abriu violentamente.

— Shizuku! A Kaori já… acordou…?

— É, como é que a Kaori… está…?

O Kouki e o Ryutarou vieram se ralando para o quarto. Eles tinham vindo checar a Kaori. Aparentemente parecia que eles tinham corrido direto para o quarto depois do treino, pois sujeira ainda cobria seus uniformes.

Desde a excursão ao labirinto, os dois tinham treinado mais do que nunca. Eles tinham sido afetados bastante pela morte do Hajime também. Afinal, foram eles que tinham se recusado a se retirar, que tinha causado a crise quase fatal da qual o Hajime tinha os salvado. Ambos estavam treinando duro para que nunca fizessem algo tão feio novamente.

Tirando aqueles dois, contudo, havia uma terceira figura parada na porta. A Shizuku dirigiu uma pergunta para ela, com sua voz cheia de suspeita.

— Por que você está…

— D-Desculpem!

— V-Vou sair agora!

A figura se desculpou apressadamente, sobrepondo as palavras da Shizuku. Parecendo que tinham visto algo que não deveriam ter visto, eles saíram do quarto às pressas. A Kaori olhou para eles confusa. Porém, a astuta Shizuku percebeu qual a causa de eles terem ido.

A Kaori estava atualmente sentada no colo da Shizuku, e segurando o rosto da Shizuku com suas mãos. Para um estranho, isso deveria ter parecido que elas estavam prestes a se beijar. A Shizuku, também, estava segurando a Kaori pela cintura e pelos ombros, como uma amante.

Deveria ter parecido uma cena muito romântica. Se isso fosse em um quadrinho, sem dúvida alguma haveria pétalas de flores por todo o fundo. A Shizuku suspirou profundamente, afastando a Kaori, que ainda estava olhando confusa.

— Se apressem e voltem aqui, seus idiotas!


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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