Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 1 de 11) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 2 (Parte 1 de 11)

Capítulo II: O Monstro do Abismo (Parte 1 de 11)

 

O som da água pingando alcançou seus ouvidos. Um vento frio soprava pela sua bochecha, e todo seu corpo tremia. O Hajime gemeu baixinho enquanto abria os olhos. Sua bochecha estava apoiada em alguma coisa dura, enquanto a metade inferior do seu corpo estava gelada.

Ainda grogue, ele se forçou a levantar do chão, uma dor chata constantemente percorria todo seu corpo.

— Aaaai, como… Eu pensei que… — Ele agarrou a cabeça com uma mão, então tentou recordar como ele tinha acabado nessa situação.

Seu redor estava relativamente escuro, mas graças aos cristais verdes espalhados, não estava como um breu. Ele olhou atrás de si e viu um rio de cinco metros de largura, e notou que ele ainda estava metade submerso dentro dele. Sua parte superior do corpo estava sobre um pedregulho que sobressaia da margem.

— Ah, sim… a ponte quebrou, e então eu caí. E depois… — O branco sumiu de sua mente, e o seu cérebro finalmente voltou a funcionar.

Um golpe de sorte o salvou de cair para a morte.

No meio da queda do penhasco ele tinha visto uma abertura na parede de onde água estava jorrando. Uma cachoeira, basicamente. Na verdade, havia inúmeras cachoeiras pequenas enquanto ele continuava a cair, e o Hajime tinha se visto levado por elas, até que eventualmente tinham o guiado para uma das aberturas no penhasco, quase como um escorregador de água do inferno. O fato dele ainda estar vivo era simplesmente um milagre.

Especialmente considerando que no meio do caminho através do passeio na água, alguma coisa bateu nele e o nocauteou. Honestamente, nem ele compreendia quão milagroso sua sobrevivência havia sido.

— Eu realmente não lembro o que aconteceu, mas parece que não estou morto pelo menos… Atchim! E-Está muito frio. — A temperatura do seu corpo tinha caído a um nível perigosamente baixo devido a quantidade de tempo que tinha passado na água fria. Ele corria o risco de desenvolver hipotermia se ficasse submerso por muito mais tempo, então o Hajime rapidamente saltou para fora. Tremendo, ele se despiu e começou a torcer suas roupas.

Depois, com nada mais que sua cueca, ele lançou um feitiço de transmutação. Ele o usou para esculpir um círculo mágico no chão duro.

— Poxa, tenho tanto frio que é difícil de se concentrar… — Ele estava tentando inserir o feitiço “flama”. Era um feitiço muito básico que mesmo as crianças podiam lançar com um círculo mágico de dez centímetros.

No entanto, o Hajime não só não tinha cristais de mana com o quais melhorar o círculo mágico, ele também tinha zero de afinidade mágica. Sendo assim, ele precisaria de um círculo mágico complicado com mais de um metro de diâmetro só para lançar um simples feitiço flama.

Após dez minutos cansativos ele finalmente terminou o seu círculo mágico e entoou o encantamento.

— Meu desejo é o fogo. Fogo, imbuído com a essência da luz: Flama… Poxa, por que é que um feitiço tão simples tem um encantamento tão exagerado? Não posso acreditar que tenho que recitar algo tão embaraçoso… Haah… — Ele suspirou outra vez, uma coisa que tinha feito com bastante frequência ultimamente, e se aproximou da chama com tamanho de um punho. Ele também colocou suas roupas ao lado dela para secar.

— Onde é que estou…? Eu caí muito abaixo, será que eu consigo voltar lá para cima? — A preocupação dominava seu peito enquanto ele se acalmava e considerava sua situação, enquanto se aquecia perto do fogo.

Ele sentiu vontade de berrar, e lágrimas se formaram nos cantos dos seus olhos, mas o Hajime sabia que iria entrar completamente em colapso se chorasse. Ele limpou obstinadamente as lágrimas, depois esbofeteou suas bochechas.

— Eu vou conseguir. Tenho que voltar à superfície de alguma forma. Vai ficar tudo bem, tenho certeza que vou arranjar um jeito. — Ele deu a si mesmo um discurso encorajador e fortaleceu sua determinação, eliminando a expressão carrancuda do seu rosto. Depois disso, ele simplesmente olhou para as chamas, pensando sobre suas opções.

Após uns vinte minutos ele se aqueceu suficientemente e as suas roupas estavam na sua maioria secas, então decidiu partir. Ele não sabia em qual piso estava, mas estava claramente nas profundezas do labirinto, e não iria ser estranho se monstros aparecessem a qualquer momento. O Hajime andava tão cautelosamente quanto podia pelo longo corredor.

O caminho que o Hajime estava seguindo se parecia com uma caverna de algum tipo.

Não era nada como os corredores retangulares organizados que ele tinha estado nos pisos superiores. Rochedos e outros obstáculos apareciam em intervalo aleatórios, e o caminho em si era torcido e sinuoso. Muito parecido com o caminho que eles encontraram no fim do vigésimo piso.

Contudo, o tamanho desse, era de uma dimensão totalmente diferente. Inclusive com pedregulhos e afins obstruindo partes do caminho, tendo vinte metros de largura. De fato, mesmo os trechos “estreitos” ainda tinham pelo menos dez metros de largura. Apesar de diminuir seu avanço, o Hajime se movia de uma ponta à outra, tendo a certeza de seguir pelas sombras enquanto avançava.

Ele não fazia ideia de quanto tempo tinha andado. Por volta do tempo que o Hajime estava começando a ficar cansado, ele se viu em uma bifurcação no caminho. Embora fosse mais como um cruzamento do que uma bifurcação. O Hajime se escondeu atrás de uma pedra enquanto se decidia por qual caminho seguir.

Enquanto estava pensando, ele viu alguma coisa se mover de soslaio, e apressadamente se encolheu, atrás na segurança da pedra.

Ele espreitou timidamente por trás da rocha e viu uma bola de pelo branca gigante saltitando pela passagem diretamente à frente dele. Ela tinha orelhas bastante longas e parecia mesmo um coelho. Não obstante, era do tamanho de um cachorro, e tinha também patas traseiras muito grossas. E mais, haviam veias de mana vermelho-escura pulsando pelo seu corpo. Parecia bastante perturbador.

Era claramente perigoso, então o Hajime decidiu seguir por um dos outros caminhos para evitar dar de cara com isso. Julgando pela posição de suas orelhas, o Hajime concluiu que ele teria mais dificuldade em o detectar se fosse pela direita.

Ele prendeu a respiração e esperou pelo momento ideal para correr. Eventualmente o coelho se virou e abaixou a cabeça, cheirando diligentemente o chão. Foi nesse momento que o Hajime tentou sair de trás da rocha.

Entretanto, o coelho subitamente se contraiu, se erguendo de novo. Ele olhou em volta cautelosamente, com suas orelhas se contraindo.

Merda! E-Ele me viu? O-Ou estou seguro? O Hajime tinha rapidamente recuado para trás na segurança da pedra, e tentou acalmar os batimentos do seu coração enquanto se agarrava à superfície da rocha com unhas e dentes. Ele começou a suar frio, com medo que a audição excepcional do coelho pudesse conseguir perceber seu batimento cardíaco.

Entretanto, não foi o Hajime que tinha assustado o coelho.

— Graaaaaah! — Com um rugido bestial, um monstro lobo de pelo branco saltou por detrás de uma pedra, rumando diretamente ao coelho.

O lobo era tão grande quanto um cachorro grande, e tinha duas caudas brotando de sua traseira. Tal como o coelho, veias pulsantes de mana vermelho-escura percorriam seu corpo. Então, de repente, mais dois Lobos Cauda-dupla subitamente saltaram para o espaço aberto.

O Hajime espiou por detrás da pedra outra vez mais para ver o que estava acontecendo. Os lobos estavam claramente atacando o pobre coelho, embora a criatura estivesse longe de ser bonita o suficiente que justifique uma descrição como “coelhinho”. O Hajime lentamente se pôs de pé, planejando escapar durante a confusão da briga. No entanto…

— Kyuuu! — O coelho deu um grito engraçado, depois pulou, deu um giro no meio do ar, e apanhou um dos lobos com um chute circular poderoso.

Boom! Não soou nada como um chute deveria, e ele se conectou diretamente com a face do seu alvo.

Um segundo depois… Crack! Juntamente com um som muito sinistro, a cabeça do lobo foi virada em um ângulo muito anormal.

O Hajime ficou imóvel enquanto a batalha seguia.

O coelho depois usou a força centrífuga do seu giro para se virar de cabeça para baixo e se lançar em direção ao chão como um meteoro. Então, um mero instante antes do impacto, se corrigiu mais uma vez. Um chute machado poderoso desceu no lobo parado no local de impacto do coelho.

Pow! O segundo lobo não teve sequer tempo para gritar antes de sua cabeça ser pulverizada.

Mais dois lobos se revelaram e investiram no coelho.

O Hajime pensou que era o fim do coelho, mas ele se virou de cabeça para baixo, e como um breakdancer, ficou com as orelhas no chão enquanto girava, com as pernas abertas. Os dois novos lobos foram enviados longe pelo tornado de chutes e esmagados contra a parede. E eles bateram na parede com um tchuf, sangue se espalhou por todo o lado, e deslizaram para o chão, imóveis.

O último lobo rosnou ameaçadoramente, com suas caudas em pé. Subitamente, eletricidade começou a percorrer suas caudas. Parecia que essa era a magia que os lobos podiam usar.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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