Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 9 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 9 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 9 de 17)

 

— Então, sobre o que é que você queria falar comigo? Da viagem à masmorra amanhã? — A Kaori assentiu em afirmação, e o seu sorriso foi substituído por uma expressão inacreditavelmente séria.

— Quero que você… fique aqui quando formos ao labirinto amanhã. Eu vou convencer os instrutores e o resto da classe, então, por favor, não vá! — A Kaori ficava cada vez mais acalorada enquanto ela falava, e no fim ela estava inclinada para frente do Hajime, implorando para ele.

Por sua vez, o Hajime estava completamente desnorteado. Ela parecia um pouco desesperada demais para ser alguém que apenas o queria fora do caminho porque ele seria um fardo.

— Hmm… Eu percebo que eu apenas ficaria em seu caminho, mas… Acho que não me deixarão sair depois de ter vindo até aqui agora.

— Não é isso! Não é porque acho que você é um fardo ou algo assim! — A Kaori apressadamente tentou corrigir o mal-entendido do Hajime. Percebendo que ela tinha ficado um pouco acalorada, ela colocou uma mão no peito e respirou fundo. Depois de se acalmar, ela murmurou baixinho: — Desculpa, — e começou a falar mais uma vez.

— Hmm, sabe, só tenho um mau pressentimento. Eu estava dormindo ainda há pouco, e… estava tendo esse sonho… Você estava nele, Nagumo-kun… mas não respondia mesmo quando eu chamava seu nome… e por mais que eu corresse, eu nunca conseguia te alcançar… Então, no fim… — A Kaori vacilou, com medo de dizer o que aconteceu em seguida, mas o Hajime calmamente insistiu que ela continuasse.

— E então no fim?

A Kaori mordeu seus lábios e olhou para o Hajime com lágrimas nos olhos.

— …Você desapareceu…

— Entendi…

O silêncio preencheu a sala. O Hajime olhou para a Kaori, que estava abaixando a cabeça novamente. Isso certamente parecia um sonho tenebroso. Mas no fim, ele não passava de um pesadelo. O Hajime duvidava que ele conseguiria permissão para ficar para trás por um motivo frágil como esse, e mesmo que conseguisse, seus colegas de turma o teriam condenado por isso. Independentemente de como isso resultasse, ele não teria lugar algum para onde ir se pedisse. E era por isso, infelizmente, que o Hajime não teria escolha a não ser ir.

Ele falou tão suavemente quanto pôde, se esforçando para tranquilizar a Kaori.

— Foi apenas um sonho, Shirasaki-san. Teremos os cavaleiros veteranos do Capitão Meld conosco, juntamente com algumas pessoas ridiculamente fortes como o Amanogawa-kun. Ou melhor, uma tonelada, já que todos os nossos colegas têm habilidades bastante roubadas. Tantos assim que eu na verdade tenho um pouco de pena de nossos inimigos. Você provavelmente só teve esse tipo de sonho porque você tem visto de perto ultimamente o quão fraco sou. — As palavras do Hajime apenas pareceram deixar a Kaori ainda mais preocupada.

— E… E se ainda assim estiver preocupada…

— Então? — O Hajime se sentiu um pouco envergonhado, mas ele ainda olhou a Kaori nos olhos, então murmurou…

— Por que você não me protege?

— Hã?

O Hajime percebeu que era embaraçoso para um homem pedir tal coisa a uma garota. Na verdade, ele estava corando igual um pimentão do quanto envergonhado ele se sentiu. A lua estava brilhando muito, então o interior do quarto estava iluminado o suficiente para que a Kaori pudesse ter facilmente conseguido ver o quão vermelho ele estava também.

— Sua classe é Sacerdote, certo, Shirasaki-san? Essa é uma classe excelente em magia de cura, não é? Então não importa o que aconteça comigo… mesmo que eu fique mortalmente ferido, você deve ser capaz de me curar, Shirasaki-san. Então você me protegerá, sim? Dessa forma estarei bem independentemente do que aconteça. — A Kaori encarou o Hajime durante muito tempo depois de ouvir suas palavras. O Hajime sabia que não podia afastar seus olhos em uma situação dessas, então ele sustentou o olhar da Kaori apesar de quase morrer de vergonha com o que ele tinha acabado de dizer.

O Hajime tinha ouvido uma vez que o pior medo das pessoas era o desconhecido. Nesse momento, a Kaori estava assustada porque ela não sabia o que iria atacar o Hajime. Então mesmo que fosse só para sua própria paz de espírito, o Hajime queria lhe dar a confiança de que ela podia lidar com qualquer coisa que viesse ocorrer a ele, independentemente do que fosse.

A Kaori e o Hajime encararam um ao outro por algum tempo, mas ela finalmente quebrou o silêncio com um sorriso.

— Você nunca muda, não é, Nagumo-kun?

— Hã? — O Hajime inclinou a cabeça perplexamente para as palavras da Kaori, e a Kaori sorriu com a sua confusão.

— Nagumo-kun, você me conheceu pela primeira vez no ensino médio, certo? Mas sabe, eu te conheço desde o sétimo ano do fundamental II.

Os olhos do Hajime se abriram tanto quanto os pratos quando ele soube disso. Ele deu voltas na sua cabeça, tentando se lembrar onde ele tinha a visto antes, mas terminou em branco. A Kaori sorriu outra vez quando o viu se queixando a si mesmo.

— Eu te conhecia, mas você não me conhecia… Eu te vi pela primeira vez quando você estava ajoelhando no chão, por isso é natural que você não me visse.

— Aj-Ajoelhando!?

Ela o viu em tal estado patético!? O Hajime se contorceu em constrangimento por uma outra razão quando ele ouviu isso. Freneticamente, ele tentou se lembrar onde ele podia ter possivelmente se ajoelhado assim em público. A Kaori continuou sua história enquanto o Hajime fazia uma pantomima de expressões absurdas.

— É. Você estava se prostrando em frente de um grupo de delinquentes. Você não parou mesmo quando eles cuspiram em você, ou derramaram suco em você… nem mesmo quando pisaram em você. Acabou que eles desistiram e foram embora.

— D-Desculpe ter a feito ver algo tão repugnante…

O Hajime desejou simplesmente poder derreter ao chão. Isso foi quase tão ruim quanto ter o passado do fundamental II de algum adolescente angustiado mencionado novamente. Ele só podia sorrir fracamente. Era o mesmo sorriso que tinha tido quando a sua mãe tinha encontrado a sua coleção pornô e a organizado cuidadosamente em sua prateleira.

No entanto, a Kaori olhava para ele amavelmente, com nem uma pitada de desprezo em seu olhar.

— Isso não é verdade. Não foi nada desagradável. Na verdade, quando o vi, pensei que você era muito forte e uma pessoa gentil, Nagumo-kun.

— …Hã? — O Hajime não conseguia acreditar no que ele tinha acabado de ouvir. Certamente não parecia ser a impressão apropriada que alguém tinha ao ver uma cena assim. Não me diga que a Shirasaki-san tem algum fetiche estranho por isso!? O Hajime pensou, bem grosseiramente.

— Quero dizer, você fez tudo aquilo por causa de um garotinho e a avó dele, não foi, Nagumo-kun?

Com essas palavras, o Hajime finalmente se lembrou. Algo parecido tinha de fato acontecido durante seus dias do ensino fundamental II.

Uma criança tinha esbarrado em alguns delinquentes e o takoyaki que ele tinha estado comendo tinha caído sobre as roupas deles. Os rapazes em quem ele tinha se esbarrado lhe bateram, e o garoto começou a chorar enquanto a sua avó se encolheu em um canto. Isso tinha sido a grande cena.

O Hajime estava apenas passando por ali na hora, e ele tinha planejado ignorar a confusão. Contudo, mesmo após a avó do menino dar aos delinquentes um pouco de dinheiro, muito provavelmente como desculpa por arruinar a camisa, eles continuaram a assediar eles. Na verdade, eles ficaram ainda piores e no final de tudo, simplesmente roubaram a carteira das mãos da pobre senhora. Foi nessa altura que o corpo do Hajime tinha se movido instintivamente.

Mas claro, ele era alguém que odiava a violência. Os únicos movimentos assassinos que ele conhecia eram os vergonhosos que ele praticava em casa depois de assistir programas de ação. Então ele fez a única coisa que ele podia, se prostrar diante deles e implorar por misericórdia. Foi, é claro, incrivelmente vergonhoso para ele, mas também surpreendentemente embaraçoso àqueles que ele estava ajoelhando. De fato, foi tão constrangedor que eles não conseguiram aguentar. Como planejado, os delinquentes acabaram por ir embora.

— É fácil para pessoas fortes resolverem as coisas com violência. Pessoas como o Kouki-kun podem facilmente se lançar em problemas e simplesmente conseguir sair deles… mas poucas pessoas que são fracas tem a coragem de defender os outros, e ainda menos poderiam se curvar assim para outra pessoa… Sabe, sempre tive medo naquela época… Eu sempre arranjava desculpas para não ajudar outras pessoas dizendo a mim mesma, coisas como: “Não sou forte como a Shizuku-chan”, então quando eu entrava em apuros, sempre esperava por outras pessoas virem me salvar no lugar.

— Shirasaki-san…

— É por isso que acho você muito mais forte do que todos aqui, Nagumo-kun. Eu fiquei muito feliz quando te vi de novo no ensino médio, sabe… Eu queria me tornar mais como você. Eu queria falar mais com você, para aprender mais sobre você. Apesar que você sempre acabava adormecendo quando estava na escola…

— Ahaha, sinto muito por isso. — Como ele tinha finalmente percebido porque é que a Kaori sempre ficava à sua volta, e porque ela tinha ele em tanta consideração, o Hajime corou e sorriu desajeitadamente.

— Deve ser por isso que estou tão preocupada. Você pode fazer algo irresponsável de novo pelo bem de outra pessoa, Nagumo-kun. Assim como você fez quando enfrentou aqueles delinquentes… mas está bem. — Ela olhou para o Hajime resolutamente.

— Eu vou te proteger, Nagumo-kun.

O Hajime olhou para a Kaori nos olhos, então assentiu, aceitando sua determinação.

— Obrigado.

O Hajime sorriu amargamente em troca. Seus papeis como menino e menina tinha sido completamente invertidos. Contudo, o Hajime tinha que admitir, a Kaori dava um grande herói. Isso teria feito do Hajime a heroína, no entanto. Como um homem, ele não tinha bem certeza de como se sentir sobre isso, então tudo o que podia fazer era sorrir.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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