Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 8 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 8 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 8 de 17)

 

— Nagumo-kun, caso aconteça mais alguma coisa, por favor, pelo bem da Kaori também, nos diga imediatamente. — A Shizuku disse isso com uma olhadela para a Kaori, com uma expressão tensa no rosto dela o tempo todo. O Hajime estava prestes a lhe agradecer por sua preocupação, mas o habitual herói tinha de ir e estragar o clima.

— Mas sabe, Nagumo, você precisa investir algum esforço por si mesmo. Você não vai se tornar forte se continuar usando a sua fraqueza como desculpa. Tenho ouvido que você está passando todo seu tempo na biblioteca quando não estamos treinando. Se eu estivesse no seu lugar, iria passar todos os momentos livres treinando para ficar mais forte. Acho que precisa realmente começar a levar isso mais a sério, Nagumo. Não acha que o Hiyama e os outros podem ter feito isso por quererem consertar essa sua atitude frívola?

Não importava o que o Hajime fazia, o Kouki sempre interpretava as coisas dessa maneira. O Hajime ficou atônito por um momento antes de se lembrar que o Amanogawa-kun era o tipo de pessoa que acreditava que as pessoas eram intrinsecamente boas, e filtrava tudo o que via através dessa visão de mundo.

Para o Kouki, era na verdade inconcebível em um nível fundamental que os humanos pudessem ser tão cruéis. Se isso era como ele via tudo, então era de crer que ele acreditava que havia uma razão adequada por trás de todos os atos de crueldade. “Quem sabe o problema estava na pessoa que eles estavam atacando!”, era uma conclusão natural a tirar com esse tipo de mentalidade.

As palavras do Kouki não continham verdadeira má-fé. Seus avisos para o Hajime eram realmente sinceros, na verdade. Foi por essa razão que o Hajime já não possuía a força para sequer tentar e corrigir o Kouki. Além disso, não valia a pena dizer nada para alguém tão convencido de sua própria retidão.

A Shizuku sabia isso também, então ela pôs uma mão em sua boca para abafar um suspiro antes de pedir desculpas ao Hajime.

— Sinto muito por isso. O Kouki pelo menos é bem-intencionado.

— Ahaha, sim, eu sei. Não se preocupe com isso. — O Hajime sorriu e respondeu com as mesmas palavras tranquilizadoras que ele sempre fazia. Ele se levantou lentamente, limpando a poeira das suas roupas.

— Em todo caso, está quase na hora do treinamento começar. Vamos voltar? — Todos eles voltaram juntos para os campos de treino após a insistência do Hajime. A Kaori continuava disparando olhares preocupados a ele, mas o Hajime fingia não reparar. Como homem, ele se sentia um pouco mal por se deixar ser cuidado por uma garota da mesma idade.

Quando eles voltaram aos campos de treino, o Hajime soltou um suspiro pela enésima vez naquele dia. O caminho pela frente parecia certamente sombrio para ele.

Normalmente os estudantes recebiam tempo livre depois do treino até o jantar, mas o Capitão Meld os deteve depois que o treinamento tinha terminado naquele dia. Todos os estudantes o olharam curiosamente, e uma vez que ele tinha as suas atenções, ele anunciou em voz alta:

— Amanhã, como parte de sua formação prática, iremos a uma expedição ao Grande Labirinto Orcus. Vou preparar todos os equipamentos necessários que vocês irão precisar, mas não pensem que isso vai ser algo como a caça a monstros que vocês têm feito fora da capital! Rapazes, é melhor se prepararem! Tentem descansar o máximo quanto possível esta noite para estar prontos! Isso é tudo, dispensados! — Ele fez seu breve comunicado, depois foi embora bem depois de o ter entregado.

O Hajime ficou no fim da fila de estudantes tagarelando e olhou para o céu. Muito sombrio na verdade.

O Grande Labirinto Orcus. Era uma masmorra enorme dita abranger uma centena de pisos. Como era um dos sete grandes labirintos, quanto mais fundo alguém fosse, mais forte eram os monstros enfrentados. Apesar dos perigos, era um lugar de treinamento muito popular para aventureiros, mercenários e novas tropas também. As principais razões para isso era devido ser mais fácil medir a força relativa dos monstros que alguém teria de enfrentar baseado no piso que eles estavam, e que os cristais de mana contido nos monstros eram de melhor qualidade do que aqueles colhidos dos monstros na superfície.

Um cristal de mana era o núcleo de um monstro; era o que fazia de um monstro um monstro. Quanto mais poderoso um monstro, maior e mais puro o cristal de mana havia dentro dele. Cristais de mana eram um elemento importante para círculos mágicos. Um círculo mágico só precisava ser desenhado para ser capaz de lançar o feitiço inscrito dentro, mas teria eficácia reduzida sem cristais de mana em pó usados na inscrição do círculo. Na verdade, só seria um terço tão poderoso.

Cristais de mana permitiam uma deslocação de mana mais eficiente, por isso que eles melhoravam tanto a eficácia. Além disso, as ferramentas mais comuns usavam cristais de mana como fonte de energia. Já que eram utilizados por pessoas comuns e não apenas os militares, cristais de mana estavam sempre com demandas bastante elevadas.

Contudo, monstros que possuíam cristais de mana de alta qualidade eram também capazes de usar magia especializada poderosa. Era especializada porque embora tivessem grandes quantidades de mana, os monstros eram incapazes de usar círculos mágicos ou cânticos, significando que só conseguiam usar um único tipo de feitiço. Ainda assim, ser capazes de soltar esse feitiço sem precisar de um círculo mágico ou encantamento era um trunfo poderoso. Essa era a principal razão pela qual nunca se podia deixar a guarda baixa quando lutando contra um monstro.

O Hajime e os outros chegaram a uma cidade-satélite de Horaud, juntos com o Capitão Meld e alguns dos seus cavaleiros. Era uma pequena cidade que existia sobretudo à serviço dos aventureiros que viajavam pretendendo desafiar o Grande Labirinto Orcus. Enquanto o labirinto era também utilizado como uma área de treino para novos soldados, o reino mantinha uma pousada estatal na cidade, que era onde os alunos estavam todos hospedados.

O Hajime estava feliz em ver um quarto normal dessa vez, e mergulhou felizmente na sua cama com um suspiro aliviado. Todos os outros quartos tinham pelo menos duas pessoas nele, mas o Hajime tinha um só para ele.

— Caramba, sorte minha, — o Hajime murmurou, um pouco desapontado. Ele se sentia um pouco solitário por estar em um quarto sozinho, afinal.

Amanhã todos eles iriam entrar no labirinto. O plano era não ir mais longe do que o vigésimo piso, o qual de acordo com o Capitão Meld ainda era o mais elevado que os cavaleiros poderiam ser capazes de o proteger. Tudo o que o Hajime podia dizer em resposta eram desculpas por quão pesado ele era como um fardo. Ele honestamente teria preferido que o deixassem para trás e seguissem sozinhos… mas ele não tinha a coragem de dizer isso ao Capitão Meld, tendo em conta a atmosfera e tudo mais.

O Hajime começou a ler o livro ilustrado que ele tinha pego emprestado que descrevia alguns dos monstros que habitavam os pisos mais baixos da masmorra. Depois de um tempo, contudo, ele decidiu que precisaria descansar o máximo quanto conseguisse, então ele se pôs na cama apesar do horário. As habilidades que ele tinha desenvolvido na escola para lhe permitir dormir em qualquer situação ainda funcionavam mesmo em outro mundo.

Mas justo quando ele estava adormecendo, ele ouviu uma batida em sua porta que o tirou de seu estupor. Embora ele tivesse mencionado que ainda era um pouco cedo, isso significava cedo para ele, que estava habituado a fazer viradas de noite uma atrás da outra. Na verdade, já era muito tarde para o povo de Tortus. Suspeitando que os visitantes inesperados tarde da noite pudesse ser o Hiyama e os outros, o Hajime ficou tenso. Não obstante, seus medos desapareceram quando ouviu a voz do outro lada da porta.

— Nagumo-kun, está acordado? Sou eu, a Shirasaki. Podemos conversar um pouco?

Mas que raio? O Hajime se enrijeceu por um segundo antes de correr apressadamente até à porta. Ele rapidamente destrancou o trinco e abriu a porta. De pé do outro lado estava a Kaori, usando apenas um cardigã sobre seu négligé branquinho.

— …Mas o que?

— Hã? — O Hajime ficou tão chocado que passou a falar involuntariamente em um dialeto estranho por um momento ali. A Kaori olhou para ele vagamente, indicando que ela não devia ter ouvido direito.

O Hajime se compôs o melhor que pôde e perguntou o que ela queria, tentando evitar olhar para ela o máximo possível. Tão defensor de 2D quanto ele poderia ter sido, o Hajime ainda era um adolescente. A aparência da Kaori era um pouco estimulante demais para ele.

— Ah, hum, não é nada. Enfim, o que foi? Você tem uma mensagem para mim ou algo assim?

— Não. Achei que podíamos conversar um pouco, Nagumo-kun… Mas parece que estou sendo um incomodo, não estou?

— …Entre. — O Hajime perguntou com o que achava que fosse a razão mais provável para o aparecimento da Kaori, mas ela negou sem rodeios e deu uma resposta mais inesperada. E ela tinha perguntado a ele com esses olhos de cachorro carente também. A combinação foi supereficaz! Antes que se desse conta, o Hajime já tinha aberto a porta totalmente e convidado a Kaori para entrar.

— Obrigada! — A Kaori adentrou felizmente sem qualquer hesitação, depois se sentou na mesa perto da janela.

Ainda um pouco confuso, o Hajime começou reflexivamente a fazer um chá para ela. Fazer pode ter sido meio que um exagero, já que era apenas uma porcaria de chá preto que ele fez largando um saquinho de chá em uma panela com água. Ele fez chá suficiente para os dois e ofereceu um copo para a Kaori. Assim que o chá tinha sido servido, ele se sentou em frente a ela.

— Obrigada. — Apesar da qualidade terrível do chá, a Kaori ainda o aceitou graciosamente. Ela suavemente trouxe a taça para seus lábios, e a luz da lua iluminou sua figura quando ela o fez. Seu cabelo preto brilhava ligeiramente na luz prateada, a envolvendo em uma auréola. Ela parecia quase como um anjo.

O Hajime olhou fixamente, cativado de uma maneira puramente platônica pela sua aura misteriosa. Ele finalmente recuperou o juízo depois que a Kaori pôs o copo na mesa com um tinir. Em uma tentativa de se acalmar, o Hajime drenou seu copo de chá preto péssimo com um grande gole. Ele se engasgou um pouco quando a avalanche de líquido desceu pela goela abaixo. Bem, foi bastante embaraçoso.

A Kaori sorriu enquanto o via tossir. A fim de se distrair do constrangimento, o Hajime começou rapidamente a falar.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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