Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 7 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 7 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 7 de 17)

 

O império ficava ao leste do reino, espremido entre eles estava a república mercante independente, Fuhren. Como seu nome sugeria, ela era uma cidade neutra que não dependia de nenhum país para suporte. Sendo uma república mercante, ela se gabava de uma grande quantidade de riqueza, e o fluxo de dinheiro desempenhava um papel importante na sua política. Era também o que lhe permitia permanecer neutro. Era dito que qualquer coisa que o coração desejasse poderia ser comprado nessa cidade, tal era o seu poder econômico.

Aaah, mas se alguma vez eu quiser voltar para casa, não posso simplesmente fugir… Espera, merda, está quase na hora do treinamento! Percebendo que ele estava simplesmente tentando desviar seus olhos da realidade, o Hajime balançou a cabeça e deixou rapidamente a biblioteca para que não chegasse atrasado ao treinamento. Era apenas uma curta distância da biblioteca para o palácio, mas a agitação da capital poderia ser vista mesmo em uma caminhada tão curta. As vozes dos comerciantes anunciando as suas mercadorias, se misturavam com a risada feliz das crianças brincando e a repreensão furiosa dos seus pais. A capital era uma cidade pitoresca e pacífica.

Já que não parece que uma guerra está para eclodir em breve, talvez eu pudesse os convencer a me mandar de volta… O Hajime sonhava com o impossível enquanto caminhava de volta ao palácio. Ele só queria evitar pensar no desespero que o esperava uma vez que ele chegasse.

Quando chegou nos campos de treino, o Hajime encontrou alguns outros alunos já lá, conversando entre si ou pegando algumas práticas iniciais. O Hajime decidiu passar o tempo fazendo um pouco de seu próprio treino, então ele pegou a espada longa esbelta que ele tinha recebido.

Quando ele o fez, sentiu um impacto súbito atingir em cheio suas costas e ele cambaleou alguns passos para frente. Ele conseguiu evitar cair, mas arrepios cruzaram sua espinha quando ele viu quão perto havia estado de se empalar em uma espada desembainhada. Ele franziu a testa quando se virou e viu o grupo habitual de quatro, todos com a mesma expressão desagradável.

Como sempre, o Daisuke Hiyama estava atrás dele, juntamente com o resto dos Quatro Mesquinhos, como o Hajime gostava de lhes chamar. Desde que eles tinham começado a treinar, os quatro tinham aproveitado todas as oportunidades possíveis para intimidar o Hajime. Eles eram metade da razão por ele achar o treinamento tão deprimente, com a outra metade sendo quão patético suas estatísticas eram.

— Ei, Nagumo. O que está fazendo? Sabe que essa espada é totalmente inútil em suas mãos de qualquer forma, não sabe? Quero dizer, vamos, você é um fracote total!

— Ei cara, isso é ir longe demais. Digo, você tem toda razão, Hiyama… Gyahaha!

— Por que ainda se incomoda vindo ao treinamento todos os dias? Eu ia ficar bastante envergonhado se fosse você!

— Ei, Daisuke. Ele é tão patético… Não acha que devíamos o ajudar um pouco com o treinamento? — O Hiyama e os outros riram histericamente, como se o Shinji tivesse dito algo realmente engraçado.

— Hã? Então, Shinji, não acha que está sendo um pouco simpático demais com ele? Bem, sou um cara legal também, então acho que não me importo de o ajudar.

— Sim, isso parece ser uma boa ideia. Também sou uma pessoa superlegal, por isso vou ajudar. Cara, é melhor nos agradecer, Nagumo. Estamos tomando algum de nosso precioso tempo para ajudar um fracote como você. — Eles colocaram seus braços em volta dos ombros do Hajime em um falso gesto de bondade e o arrastaram embora a um local discreto. A maior parte dos seus colegas de classe notou, mas fingiram não ver nada.

— Ah, não, estou bem sozinho. Não precisam perder o seu tempo comigo. — O Hajime tentou recusar, embora soubesse que era inútil.

— Hã!? Aqui estou me dando ao trabalho para treinar esse teu rabo e é isso que recebo? Não posso acreditar nisso! Devia estar de joelhos me agradecendo!

Quando ele disse isso, o Hiyama esmurrou o Hajime com força na lateral. Hajime gemeu de dor quando sentiu o punho do Hiyama afundando em seu flanco macio. O grupo do Hiyama estava progressivamente ficando cada vez mais violento com ele ultimamente. Embora pudesse ter sido natural para rapazes levados por hormônios na puberdade enlouquecerem com poder quando pusessem as mãos em algum, isso não tornava fácil para aquele que tinha de sofrer as consequências do lapso de sanidade. Embora não fosse como se houvesse algo que o Hajime pudesse fazer para tentar resistir. Tudo o que podia fazer era cerrar os dentes e tentar aguentar.

Eventualmente, eles o trouxeram o caminho todo até um canto isolado dos campos de treino que não podia ser facilmente visto, e depois o Hiyama empurrou o Hajime ao chão.

— Vamos lá, se levante. É hora de um treinamento divertido. — O Hiyama, o Nakano, o Saitou e o Kondou rodearam o Hajime com essas palavras. O Hajime mordeu o lábio em frustração enquanto se levantava.

— Guah!?

Ele sentiu algo bater em suas costas assim que ele se levantou. O Saitou tinha lhe acertado com a bainha da sua espada. Ele voou para frente, gemendo de dor, e foi recebido com outro ataque.

— Ei, não pode dormir aí. Você será queimado se for! Incinere tudo que está em meu caminho: Bola de Fogo!

O Nakano soltou uma bola de fogo no Hajime. Como o impacto que ele acabara de receber tornou impossível para ele se endireitar, o Hajime rolou freneticamente para o lado, evitando por pouco a bola de fogo se aproximando. No entanto, o Saitou tinha previsto que o Hajime iria desviar, então lançou outro feitiço na direção dele.

— Destroce meus inimigos ó vento: Esfera de Vento. — O torrão endurecido de vento acertou o Hajime assim que ele se pôs de pé, o que o fez morrer de dor quando ele foi soprado para trás. Ele caiu no chão mais uma vez, vomitando.

A magia que eles tinham lançado eram todos feitiços de níveis baixos com encantamentos simples. Mas, mesmo a magia fraca como a que o acertou era tão forte quanto um soco de um boxeador profissional. O motivo de até os seus feitiços fracos o acertarem com tanta força era devido as suas afinidades mágica combinadas com o artefato raro que eles tinham recebido do rei.

— Tsc, não acredito que você é tão fraco. Você está ao menos tentando, Nagumo? — O Hiyama chutou preguiçosamente o Hajime no estômago quando disse isso. O Hajime tentou desesperadamente impedir seu estômago de se esvaziar totalmente.

O linchamento disfarçado de treinamento continuou por mais algum tempo. O Hajime mordeu seu lábio, amaldiçoando sua própria impotência. Talvez ele devesse ter reagido, mesmo sabendo que ele era tão fraco para realmente conseguir qualquer coisa.

Mas o Hajime sempre foi avesso à violência. Ele até tinha problema em odiar realmente as pessoas. Ele sempre se dobrava quando encurralado em uma situação que parecesse que poderia se desenvolver em uma briga. Sempre acreditando que iria acabar eventualmente, tanto quanto pudesse aguentar isso. E aguentar isso era sempre melhor do que retaliar. Algumas pessoas achavam que ele gostava disso, enquanto outros simplesmente o viam como um perdedor. O Hajime mesmo não tinha certeza qual ele era.

Quando o sofrimento tinha chegado próximo ao insuportável, o Hajime de repente ouviu a voz de uma garota furiosa.

— O que vocês estão fazendo!?

O Hiyama e os outros empalideceram quando escutaram essa voz. Era apenas natural. Afinal, ela pertencia a garota por quem todos eles eram apaixonados, a Kaori. E não apenas ela. A Shizuku, o Kouki e o Ryutarou estavam com ela.

— Então, por favor, não interpretem mal isso. Estávamos só ajudando o Hajime com seu treinamento…

— Nagumo-kun!

A Kaori ignorou as desculpas do Hiyama e correu até o Hajime, que estava debruçado no chão, tossindo. O Hiyama e os outros tinham deixados de terem qualquer importância para a Kaori quando viu o estado em que o Hajime estava.

— Treinando, hein? Não acham que isso foi um pouco unilateral demais para ser chamado de treinamento? — A Shizuku proferiu essas palavras em um tom frio.

— Só estávamos…

— Poupe sua saliva. Não importa quão improprio para a batalha o Nagumo-kun possa ser, ele ainda é nosso colega de classe. Tenham a certeza que não farão isso outra vez, — O Kouki calmamente interviu.

— Se vocês têm tempo para estar brincando por aí, então melhorem suas malditas habilidades em vez disso! — O Ryutarou berrou.

O Hiyama e os outros começaram a dar desculpas diferentes enquanto eles sorriam desajeitadamente e bateram em retirada apressadamente. A Kaori lançou alguma magia de cura no Hajime, e ele gradualmente sentiu a dor diminuir.

— O-Obrigado, Shirasaki-san. Você me salvou.

O Hajime sorriu dolorosamente e a Kaori balançou a cabeça para suas palavras, com os olhos cheios de lágrimas.

— Eles sempre fazem coisas assim a você? Se sim, eu vou… — A Kaori olhou furiosamente na direção do Hiyama e os outros fugindo, mas Hajime a impediu apressadamente.

— Não, não, não é sempre tão ruim! Estou bem, sério, então por favor, não se preocupe comigo!

— Mas…

A Kaori não parecia totalmente convencida, então o Hajime sorriu e disse: — Estou bem, sério. — Com essas palavras, a Kaori cedeu com relutância.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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