Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 6 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 6 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 6 de 17)

 

O que exatamente não ter afinidade mágica quer dizer? Bem, tinha a ver com a forma como a magia funcionava nesse mundo. No mundo de Tortus, a magia funcionava de forma muito específica. Ao entoar um encantamento, se podia transferir mana para um círculo mágico e o feitiço inscrito dentro daquele círculo seria ativado, e assim se lançava magia. Era impossível alguém manipular diretamente sua mana, então, cada feitiço precisava de seu próprio círculo mágico correspondente.

Além disso, a duração de um encantamento era diretamente proporcional ao quanto de mana se podia injetar no círculo mágico, então a eficácia de um feitiço era diretamente proporcional à quantidade de mana usada para o lançar. E quanto mais complicado um feitiço era, ou quanto maior fosse sua área de efeito, mais inscrições eram necessárias no círculo mágico para completar o feitiço. Que naturalmente significava que o próprio círculo mágico precisava ser maior também.

A título de comparação, o feitiço padrão de bola de fogo que aparecia na maioria dos RPG e semelhantes, normalmente exigiam um círculo mágico com cerca de dez centímetros de diâmetro. Cada feitiço precisava das inscrições básicas para o elemento, força, alcance, duração e absorção mágica (a quantidade de mana que alguém precisava fornecer ao círculo mágico para ativar o feitiço). Se alguém quisesse acrescentar mais parâmetros, como duração que o feitiço é mantido, então inscrições extras eram necessárias para isso também.

Tinha, todavia, uma exceção a essa regra. E essa exceção era a afinidade mágica.

Afinidade mágica era basicamente um parâmetro do quão bem sua constituição natural lhe permitia reduzir inscrições. Por exemplo, alguém com uma afinidade com o elemento fogo já não precisaria acrescentar essa parte do elemento na inscrição ao seu feitiço, desde que fosse um baseado em fogo. Pessoas com aptidão para algo conseguia usar uma imagem mental para assumir o lugar da inscrição. Eles não precisavam esculpir a inscrição em qualquer lugar no círculo mágico. Bastando para tal imaginar chamas enquanto entoavam o feitiço, eles eram capazes de adicionar o elemento fogo nele.

A maioria das pessoas tinham algum nível de afinidade mágica, o que significava que o supracitado círculo de dez centímetros seria geralmente menor. No entanto, o Hajime não tinha nenhuma afinidade com qualquer magia, significando que além das inscrições para as cinco propriedades, ele tinha de incluir inscrições para a trajetória, propagação, e até mesmo a conclusão para cada um dos seus feitiços. Para ele, um feitiço de bola de fogo normal exigia um círculo mágico de dois metros de diâmetro, deixando a magia totalmente impraticável em combate.

Em um assunto um pouco relacionado, círculos mágicos apareciam em dois tipos diferentes. O mais comum dos dois eram os círculos mágicos desenhados em um tipo especial de papel descartável. O outro tipo de círculos mágicos era esculpido em minerais específicos. Os primeiros permitiam diferentes variações de feitiços, mas eles queimavam depois de um uso e seu poder era geralmente um pouco mais baixo. Por outro lado, esses últimos eram volumosos e limitados quanto aos feitiços que podiam lançar, mas eram reutilizáveis e muito mais poderosos que seus homólogos de papel. Todos os cajados que o Ishtar e os outros sacerdotes carregavam tinham círculos mágicos do tipo mineral gravados neles.

Devido às suas estatísticas baixas, combate à curta distância era impossível, e por causa de sua falta de afinidade mágica, ele não podia depender da magia também. A única habilidade que sua classe tinha concedido, Transmutar, simplesmente permitia a ele converter a forma de vários minérios ou forjar eles em ligas. Era efetivamente inútil. Ele também foi informado que não havia artefatos úteis para Sinergistas, e era simplesmente dado um par de luvas com os respectivos círculos mágicos gravados neles.

Após muito treinamento, ele foi finalmente capaz de fazer armadilhas de queda e saliências no chão, e quanto mais ele treinava, maior eram os tamanhos que podia fazer, mas… ele tinha de estar em contato direto com o alvo para ativar eles. Correr na frente de um inimigo e então agachar para pôr as suas mãos no chão não era melhor que suicídio, então mesmo as suas habilidades não eram de verdadeira ajuda para ele em combate.

Nas duas últimas semanas, o Hajime tinha chegado a ser tratado como um completo desperdício de espaço pelos seus colegas. Ele tinha tentado aumentar seus conhecimentos como sua última tentativa de alguma forma se tornar útil, mas mesmo essa perspectiva parecia ter uma esperança vaga, então ele suspirava cada vez mais frequentemente à medida que o tempo passava.

Se não vou servir de nada por aqui, mais vale simplesmente sair em uma jornada ou algo assim, o Hajime pensou quando ele olhou para a janela da biblioteca. Ele tinha chegado ao seu limite. O Hajime tinha passado as últimas semanas se dedicando mais que qualquer outra pessoa às palestras que eles estavam tendo sobre o mundo, passando o tempo todo pensando para onde ir.

Estou pensando que a terra dos semi-humanos provavelmente seria melhor… Não posso dizer que já estive em outro mundo se ainda nem sequer vi um único par de orelhas de animal. Mas supostamente seu território está na verdade nas profundezas do mar de árvores. E eles são aparentemente alvo de discriminação em todos os lugares, então, além de alguns escravos, não se vê muitos deles fora de sua terra natal.

De acordo com o que o Hajime tinha aprendido até agora, os semi-humanos era discriminados severamente, então eles viviam nas profundezas da Floresta Haltina para evitar o contato com outras pessoas. Eles eram supostamente alvo de discriminação porque eles não possuíam nenhuma mana.

A lenda afirmava que, começando com Ehit, cada um dos deuses moldaram os alicerces do mundo com magia. A magia que todo mundo usava agora era supostamente uma versão deteriorada do poder que os deuses uma vez tiveram. Por essa razão, era crença comum que a própria magia era um presente dos deuses. Claro que, a crença referida era reforçada pelo fato de que a Santa Igreja a pregava como verdade. Por causa disso, os semi-humanos, que não possuíam mana e eram incapazes de usar magia, eram vistos como criaturas malvadas que tinham sido abandonadas pelos deuses.

Isso tinha o levado naturalmente a perguntar: “Mas e quanto aos monstros?”. Contudo, parecia que os monstros eram vistos apenas como catástrofes naturais, e assim ninguém os considerava criaturas que receberam a “benção de Deus” ou qualquer coisa nesse sentido, e eram vistos como nada mais que animais selvagens. Que interpretação conveniente, o Hajime pensou, claramente enojado.

Pior ainda, embora os demônios adorassem um deus diferente do “Senhor Ehit” dos humanos, eles também discriminavam os semi-humanos.

Demônios supostamente tinham uma afinidade mágica muito mais elevada do que os humanos, então eles eram capazes de lançar feitiços com encantamentos e círculos mágicos muito menores do que eles. Eles residiam no centro do continente do sul, no reino demoníaco de Garland. Ainda que poucos, parecia que até as crianças no reino eram capazes de empunhar poderosa magia ofensiva. Então, de certa forma, todos os cidadãos do reino era um soldado.

Os humanos desse mundo viam os demônios que adoravam um deus diferente como seus inimigos mortais, graças aos ensinamentos da Santa Igreja, e desprezavam os semi-humanos como vermes sem deus. E aparentemente os demônios não eram melhores. Embora ele não pudesse ter certeza, o Hajime adivinhou que os semi-humanos só queriam que os deixassem em paz. Fazia sentido considerando quão único os outros dois grupos pareciam ser.

Hmm, se abrir caminho pelo enorme mar de árvores parece impossível, então, talvez devesse tentar o oceano oeste em vez disso? Se estou recordando bem, há uma cidade chamada Erisen que fica junto ao mar. Se não conseguir minha cota de orelhas de animal, então eu ao menos quero ver algumas sereias. Criaturas imaginárias como aquelas que qualquer homem sonha. Além disso, quero ver como são os frutos do mar nesse mundo.

A cidade costeira de Erisen era a casa de um grupo de semi-humanos conhecidos como homens do mar, e ficava nas margens do oceano ocidental. Eles eram o único grupo de semi-humanos que o reino abrigava. O motivo era que a cidade produzia cerca de 80% dos frutos do mar do reino. Tamanha razão prática.

O que aconteceu com eles serem uma raça sem deus? O Hajime tinha pensado sarcasticamente quando ele tinha escutado pela primeira vez sobre eles.

Mas para chegar ao mar oeste da sua localização, primeiro tinha de atravessar o Deserto Gruen. Dois importantes locais que eram utilizados como pontos de controle para os comerciantes no deserto, eram o oásis Ducado de Ankaji e o Grande Vulcão Gruen. E o Grande Vulcão Gruen era um dos sete labirintos do mundo.

Os sete labirintos se referiam aos sete locais extremamente perigosos espalhados pelo mundo. À sudoeste do Reino Heiligh, entre a capital e o Deserto Gruen, ficava outro desses, o Grande Labirinto Orcus. A já referida Floresta Haltina era também outro desses labirintos. Embora fossem chamados de sete labirintos, na verdade, apenas três deles tinham sido documentados. Os outros eram lugares que se acreditavam existir devido as provas apresentadas nos livros antigos e outros tantos manuscritos.

Embora as suas existências não tivessem sido confirmadas, eles ainda estavam marcados provisoriamente nos mapas. O Desfiladeiro Reisen que dividia os continentes do norte e do sul, enquanto as Cavernas de Gelo que ficavam nos Campos de Neve Schnee[1] eram outros potenciais candidatos.

Eu provavelmente não vou conseguir atravessar o deserto… Nesse caso, a única maneira de eu alguma vez conseguir ver semi-humanos é se eu for ao império e ver os escravos que eles têm, mas não tenho certeza de que suportarei ver essas pobres orelhas de animais sofrendo como escravos. O império que ele tinha mencionado era o Império Hoelscher. Era um país que tinha sido formado há trezentos anos, durante uma das maiores guerras entre os humanos e demônios. Ele tinha sido formado por um certo grupo mercenário, e era um país militarista que se gabava de uma grande população de aventureiros e mercenários. Eles detinham a doutrina de que a força pode ser vencida pela força, e eram um país de reputação bastante desagradável.

Seus cidadãos acreditavam em usar tudo o que podiam para os seus próprios propósitos, mesmo se isso significasse escravos semi-humanos ou algo do gênero, então o comercio de escravos prosperou.


 

 

[1] シュネー雪原 (Shunee Setsugen), o “シュネー (Shunee)” é Schnee, que significa “neve” em alemão, ou na linguagem coloquial de lá, pó (cocaína)…
Esse tipo de colocação é claramente o autor usando estrangeirismo na sua própria história, e como tal, eu não irei as traduzir pois é intencional do autor.

KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
FONTE
Cores: