Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 3 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 3 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 3 de 17)

 

O Hajime sorriu para o teatro extravagante. Toda a viagem tinha sido claramente trabalhada para parecer “Discípulos de deus descendo dos céus”, ou alguma coisa assim. Era bastante provável que, com uma demonstração tão ostentosa, alguns dos fiéis mais fervorosos viria para adorar não apenas o Hajime e seus companheiros, mas os sacerdotes da ordem que tinham os acompanhados também.

O Hajime recordou o que ele tinha lido nos livros de história sobre o Japão pré-guerra. Um tempo em que a religião e a política eram intimamente interligadas. E foi precisamente esses laços que tinham gerado uma grande tragédia. No fim, era muito possível que esse mundo era ainda mais doente que o Japão antigo foi. Afinal, esse era um mundo em que um ser sobrenatural poderoso o suficiente para interferir com outros mundos existia. Não teria sido muito de se estranhar se o mundo inteiro girasse literalmente em torno da vontade de Deus.

Todo este mundo, incluindo todas as chances de voltar para a casa, tudo repousava na palma da mão de Deus. Conforme a silhueta da capital se tornava mais detalhada, o Hajime sentiu uma inexplicável sensação de mal-estar bem dentro dele. Ele afastou os pensamentos sufocantes e se lembrou que tinha que se concentrar em fazer o que podia por enquanto.

No momento em que eles pousaram no topo do palácio real, o Hajime e os outros foram acompanhados à sala do trono. Os corredores que eles passaram no caminho eram cada parte tão ostentosos quanto o templo tinha sido. Ao longo do caminho eles passaram por cavaleiros, servos, empregadas, e funcionários do governo. Todos os que passavam olhavam os estudantes com um misto de admiração e fascinação. Parecia que a maioria das pessoas tinham conhecimento de quem os alunos eram.

A sensação de mal-estar do Hajime continuou a aumentar, e ele seguiu furtivamente atrás de todos no final da fila.

O Ishtar e o grupo de heróis finalmente se encontraram de pé diante de uma enorme porta dupla, na qual muitos desenhos lindos tinham sido gravados. Dois guardas estavam em posição de sentido em ambos os lados da porta, e eles em voz alta anunciaram a chegada do grupo para quem quer que estivesse esperando no interior. Então, sem esperar por uma resposta, eles abriram as portas.

O Ishtar passou calmamente pela entrada, claramente à vontade. Todos os alunos seguiram timidamente atrás dele, com exceção do Kouki e os seus amigos, que não estavam aparentemente afetados pelo esplendor circundante.

Dentro da sala se estendia um tapete vermelho que terminava na parede mais distante. No seu fim, ficava uma cadeira magnifica, ou melhor, um trono. Parado em frente ao trono estava um homem de meia-idade que irradiava uma aura de solenidade e dignidade.

Ao lado dele estava supostamente a rainha, e ao lado dela um garoto e uma garota, ambos com cabelos loiros e olhos azuis impressionantes. O garoto, que era o mais novo dos dois, parecia não ter mais do que dez anos, enquanto a garota devia ter uns quatorze ou quinze. No lado esquerdo do tapete estava uma fila de soldados, todos vestidos com armadura e uniforme. Na direita, uma fila de oficiais civis. No total, provavelmente havia cerca de trinta pessoas à espera na sala.

Quando eles estavam diante do trono, o Ishtar deixou os estudantes e foi ficar ao lado do rei. Ele ofereceu sua mão para o rei, que a tomou reverentemente e beijou com o menor toque de seus lábios. Parecia que o papa era ainda mais importante do que o rei. O Hajime suspirou interiormente, tendo agora a certeza de que “Deus” controlava o reino.

Um turbilhão de auto apresentações seguiram depois disso. O nome do rei era Eliheid S. B. Heiligh, e a sua esposa era chamada de Luluaria. O garoto loiro era o príncipe Lundel, e a garota a princesa Liliana.

Depois vieram as introduções do capitão cavaleiro, do primeiro-ministro, e de outros importantes dignitários. Em aparte, o fato dos olhos do jovem príncipe estivera colado sobre a Kaori o tempo todo, deixou claro que seu charme funcionava nos homens desse mundo também.

Quando as apresentações terminaram, uma grande festa foi preparada e os alunos foram capazes de desfrutar dos pratos do mundo paralelo. Embora, na sua maioria, não era muito diferente da comida ocidental da terra. O molho rosa e a bebida da cor do arco-íris que eles às vezes traziam eram especialmente deliciosos.

O príncipe Lundel passou a maior parte da refeição conversando com a Kaori, e todos os outros garotos olhavam para eles angustiadamente. O Hajime secretamente torceu para que as consequências de seus ciúmes se afastassem dele para o príncipe em vez disso. Apesar de que ele não esperava que um garoto de dez anos tivesse muita chance com a Kaori.

Depois de acabarem a refeição, o Hajime e os outros foram apresentados aos instrutores que iam ter treinamento em troca de serem vestidos e alimentados pelo palácio. Seus instrutores tinham sido escolhidos das fileiras dos cavaleiros do serviço ativo e magos da corte. O rei provavelmente queria reforçar as relações entre os estudantes e seu reino para a inevitável guerra por vir.

Uma vez que o jantar e as apresentações tinham acabado, todo mundo foi levado a seus próprios quartos individuais. O Hajime tinha a certeza que ele não era o único que ficou chocado com a enorme cama de dossel que ele encontrou no seu quarto. O quarto era tão luxuoso que ele não pôde relaxar totalmente, mas ele já tinha experimentado um dia bem agitado, então ele estava cansado. Ele se jogou na cama e adormeceu quase instantaneamente quando a tensão desapareceu dele.

O treinamento começou bem cedinho na manhã seguinte. Todos receberam uma placa de prata de doze por sete centímetros. Conforme os alunos olhavam para aquelas estranhas placas, o capitão cavaleiro, Meld Loggins, começou a explicar sua função.

O Hajime pensava se era mesmo certo ter o capitão cavaleiro como sendo aquele para tomar contar de seus treinamentos, mas ele supôs que seria ruim tanto para sua imagem e vida se o reino deixasse o grupo de heróis treinando nas mãos de algum amador.

O próprio Capitão Meld parecia estar bem feliz em supervisionar o treinamento deles, quando ele riu calorosamente e disse: — Além disso, me dá um motivo para empurrar toda a papelada chata para o meu vice-capitão! — Parecia que o capitão estava bem contente com sua função, apesar do pobre vice-capitão provavelmente não estava.

— Certo, vocês crianças receberam suas placas? Nós a chamamos de placas de status. Tal como seu nome sugere, elas tomam diversos parâmetros e quantificam eles para vocês. Elas também servem como ótimos cartões de identificação. Enquanto vocês a tiverem, vai ficar tudo bem mesmo que tenha se perdido em algum lugar, então as guardem muito bem, ouviram? — O capitão cavaleiro tinha um jeito de falar muito informal. Quando questionado sobre isso, ele tinha simplesmente dito: — Seremos camaradas de combate juntos no campo de batalha, por isso não existe sentido sermos tão rígidos entre si! —, e até mesmo os instou a falar casualmente com todos os outros cavaleiros.

O Hajime e os outros acharam sua atitude amável bem agradável. Eles teriam achado estranho pessoas bem mais velhas que eles os mostrando respeito de qualquer forma.

— Vocês verão que um dos lados da placa tem um círculo magico inscrito. Usem as agulhas que passei para espetar o dedo e pingar um pouco de sangue sobre o círculo. Isso vai identificar vocês como o dono da placa. Então, você diz, ‘Abrir Status’, e vai ver suas estatísticas atuais apresentadas na placa. Ah, e não se preocupem em me perguntar como funciona. Não tenho a menor ideia. Essas coisas são artefatos deixados dos tempos antigos.

— Artefatos? — O Kouki perguntou, se enrolando com a palavra pouco familiar.

— Artefatos se referem aos poderosos itens mágicos que já não temos a tecnologia para reproduzir. Eles foram todos supostamente feitos durante a era dos deuses quando os descendentes do criador caminhavam pela terra. As placas de status que todos vocês estão segurando são todos artefatos dessa época também, mas elas são os únicos artefatos que continuam a ter ampla utilização até os dias de hoje. Muitos outros artefatos são cobiçados tesouros nacionais, mas há tantas dessas placas que mesmo cidadãos comuns possuem uma. É útil já que elas servem como identificação muito fiável.

Parecia que o artefato que produzia essas placas de status ainda existia também, e todos os anos novas placas eram produzidas sob a supervisão rigorosa e controle da Santa Igreja.

Todos os estudantes assentiram em confirmação quando eles ouviram a essa explicação. Uma vez que tinha terminado, todos eles cuidadosamente espetaram os dedos e esfregaram o sangue que pingou sobre o círculo magico de suas placas. Os círculos mágicos brilharam brevemente quando o sangue tocou neles. O Hajime também esfregou um pouco de sangue em cima de sua placa.

Sua placa de status brilhou rapidamente também, e como uma tinta se espalhando em uma lã, sua placa foi lentamente tingida de um azul-celeste. O Hajime ficou espantado. Os outros alunos também olhavam surpresos quando suas placas mudaram de cor.

O Capitão Meld continuou sua explicação das placas depois disso. Aparentemente cada pessoa tinha a sua própria cor distinta de mana, e quando suas informações foram introduzidas em suas placas, as placas mudaram de cor para combinar. A razão pela qual elas eram aptas a desempenhar a função de cartões de identificação tão fiável, era porque a sua cor e a cor da mana de seu dono eram sempre as mesmas.

Espera, minha mana é azul-claro? Ou suponho mais próxima do azul-celeste? É muito bonita.

Feliz que a sua mana não era muito escura ou algo nesse sentido, o Hajime olhou em volta e viu que todos estavam também ocupados olhando suas próprias cores. A do Kouki era previsivelmente um branquinho. A do Ryutarou era um verde escuro, da Kaori um roxo muito claro, e da Shizuku um azul profundo de lápis-lazúli.

— Sei que todos vocês estão impressionados, mas não se esqueçam de verificar as suas estatísticas, está bem? — O Capitão Meld sorriu jocosamente quando recordou os estudantes para confirmarem suas estatísticas. A sua voz trouxe o sentido deles de volta e eles deram ao Meld um breve olhar antes de apressadamente verificarem suas estatísticas.

O Hajime voltou seu olhar para sua placa de status. Nisso, ele encontrou escrito…


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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