Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 2 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 2 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 2 de 17)

 

— Compreendo como se sente, no entanto… Eu sou incapaz de os retornar ao seu mundo.

O silêncio preencheu a sala. A atmosfera sufocante foi sentida por todos os presentes. Todos olharam em branco para o Ishtar, não conseguindo digerir corretamente o que ele tinha acabado de dizer.

— O q-que quer dizer com… ser incapaz!? Se você nos chamou aqui, você deveria poder nos mandar de volta, não devia!? — A Aiko-sensei gritou.

— Como disse antes, é o Senhor Ehit quem os invocou aqui. A única razão pela qual nós estávamos naquela sala afinal, foi para receber vocês heróis, e para oferecermos nossas orações ao Senhor Ehit. Nós humanos não possuímos o poder para interferir com outros mundos, então se vocês podem ou não voltar depende também da Sua vontade.

— N-não pode ser…

A Aiko caiu de volta na sua cadeira, toda a força foi drenada de seu corpo. Todos os outros alunos começaram a gritar assim que a verdade nas palavras do Ishtar foi absorvida.

— Você está brincando comigo? Como assim não podemos voltar!?

— Você não pode fazer isso! Por favor, só nos envie de volta de alguma forma!

— Uma guerra!? Não pode estar falando sério! Nos leve de volta agora mesmo caralho!

— Isso não está acontecendo, isso não está acontecendo, isso não está acontecendo…

A turma inteira entrou em pânico. O Hajime foi abalado por este desenvolvimento também, mas por ser um otaku, ele tinha visto pelo menos inúmeros livros e jogos que tinham a mesma premissa. Foi por isso que ele conseguiu determinar que esse não era o pior cenário possível, e essa era a razão pela qual ele estava pelo menos um tanto mais calmo do que os outros estudantes. Para se ter uma ideia, o pior cenário possível que ele estava imaginando era aquele em que todos eles tivessem sido invocados como escravos.

O Ishtar não disse nada e silenciosamente assistia como todos os estudantes entravam em pânico. Embora o Ishtar estava calado, o Hajime pensou poder ver o desprezo escondido nas profundezas dos olhos do velho. O Hajime presumiu que ele estava pensando: “Estas pessoas foram escolhidas por deus, por que não estão celebrando?”, ou qualquer coisa do gênero.

O Kouki se levantou em meio ao grupo de estudantes histéricos e bateu com seu punho sobre a mesa com um estrondo. Isso conseguiu chamar a atenção da maior parte das crianças. Uma vez que ele confirmou que os olhos de todos estavam nele, o Kouki começou a falar.

— Todo mundo, não faz sentido nos queixarmos do Ishtar. Não há nada que ele possa fazer agora. E… E eu, pelo menos, decidi ficar e lutar. Essas pessoas estão prestes a serem aniquiladas. Sabendo disso, como posso os deixar a tal destino trágico? E além disso, se fomos convocados aqui para salvar a humanidade, é possível que sejamos autorizados a voltar assim que os tivermos salvos… Certo, Ishtar-san? Você acha que isso é possível?

— É como você disse. O Senhor Ehit não é assim tão cruel que iria ignorar um pedido de seus heróis escolhidos.

— E todos nós ganhamos alguns poderes incríveis, não é? Desde que cheguei aqui, senti como se tivesse de alguma forma me tornado muito mais forte.

— Sim, isso está correto. É seguro assumir que cada um de vocês de longe tem a força equivalente de algumas dezenas de homens normais.

— Muito bem, então não deve haver problema. Eu vou lutar. Se salvarmos todo mundo, então nós poderemos ir para casa. Então apenas vejam! Eu vou salvar a todos, incluindo nós! — O Kouki apertou seus punhos firmemente enquanto proclamava suas nobres intenções, mostrando um sorriso encantador quase doentio no fim.

Simultaneamente, o seu carisma esmagador começava a fazer efeito. Os estudantes que estavam desesperados poucos momentos atrás começaram a recuperar seus sentidos de compostura. Todos olharam o Kouki com admiração, como se estivessem a olhar a esperança viva. A maioria das estudantes femininas tinham adoração misturada em seus olhares também.

— Heh, sabia que ia dizer isso. Mesmo assim, eu ficaria preocupado em deixar você partir sozinho… E é por isso que eu vou com você.

— Ryutarou…

— Parece que é a única opção que temos neste momento. Me incomoda que não nos deram uma escolha sobre o assunto, mas… Eu vou ajudar também.

— Shizuku…

— S-Se a Shizuku-chan está indo lutar, então eu vou também!

— Kaori…

Todo o grupo habitual de amigos deram seu apoio ao Kouki. Levados juntos pelo fluxo, o resto dos estudantes naturalmente concordaram em lutar também. A Aiko-sensei estava em lagrimas conforme ela corria entre seus alunos, implorando a eles para pararem. No entanto, ela acabou por ser impotente, completamente incapaz de impedir que o carisma do Kouki infectasse o resto da turma.

No fim, todo mundo concordou em ajudar a lutar na guerra global. Todavia, a maioria dos estudantes provavelmente não fazia ideia de como uma guerra realmente era, nem sequer podiam imaginar. De certa forma, eles poderiam estar apenas tentando fugir da realidade para preservar a sua própria sanidade.

O Hajime estava a considerar todos esses fatores conforme ele observava o Ishtar pelo canto dos seus olhos. O Ishtar tinha um sorriso bastante satisfeito no rosto, uma coisa que o Hajime tomou nota.

O Ishtar tinha estado monitorando discretamente o Kouki enquanto ele dava seu discurso, mentalmente gravando como ele reagia a determinadas palavras. Kouki, que sempre teve um forte senso de justiça, tinha reagido rapidamente quando o Ishtar falou da tragédia que assolava a raça humana. E o Ishtar tinha se certificado de salientar a crueldade e a brutalidade dos demônios quando viu a reação do Kouki à suas palavras.

Afinal de contas, era obvio que o Ishtar tinha visto através da personalidade do Kouki. Ele tinha percebido quem entre seu grupo tinha a maior influência.

O Hajime supôs que, como líder de uma instituição religiosa mundial, isso justificaria a razão por Ishtar pudesse ser tão perspicaz, mas ele ainda o guardou mentalmente como alguém para ter cuidado.

Independentemente disso, visto que tinham optado por ajudar os humanos na guerra, eles agora precisavam aprender a lutar. Não importava quão incrível seus recentes poderes eram, eles ainda eram estudantes do ensino médio que tinham estado vivendo no pacifico país Japão. Seria impossível para eles simplesmente começar a lutar contra demônios e monstros sem qualquer treinamento.

Contudo, parecia que o Ishtar estava preparado para essa eventualidade também, já que ele explicou aos alunos que haviam pessoas prontas para os receber no Reino Heiligh[1]. O referido reino estava aparentemente no sopé da montanha divina, e o templo que eles atualmente estavam era o principal templo da Santa Igreja que ficava em seu cume.

O reino tinha laços muito estreitos com a Santa Igreja; segundo a lenda, um dos primogênitos de Ehit, Sharam Vaan, tinha fundado o reino. De todos os reinos humanos, ele era aparentemente aquele com a história mais rica. O fato do templo mais sagrado da Igreja estar no quintal do reino revelava muito sobre quão profunda sua conexão era.

O Hajime e os outros caminharam para o portão da frente do templo. Eles estavam prestes a embarcar na sua viagem para o reino abaixo. Enquanto caminhavam através dos grandes arcos triunfais que constituíam o portão principal do templo, eles foram recebidos por um mar interminável de nuvens. Dado que ninguém tinha sofrido com mal da montanha, eles não tinham percebido que estavam tão alto. O Hajime presumiu que a magia tinha algo a ver com tornar o ambiente à volta do templo habitável. Todos eles ficaram maravilhados conforme olhavam para o limpo céu azul e as ondas de nuvens cintilando à luz do sol.

O Ishtar olhava orgulhosamente enquanto todos olhavam estupidamente, antes de os instar para prosseguir. Conforme eles avançavam, eles viram um enorme pedestal redondo que estava rodeado por uma grade. Eles passaram por um corredor luxuoso feito da mesma pedra branca da catedral e subiram no pedestal.

Gravado no interior das pedras do pedestal estava um grande círculo mágico. Do outro lado da grade havia uma queda livre para as nuvens abaixo, então a maioria dos estudantes se confinaram mais perto do centro do pedestal quanto podiam. Porém, eles não conseguiam reprimir a sua curiosidade, e olhavam timidamente em volta dos seus arredores apesar do medo. Enquanto eles olhavam ao redor, o Ishtar começou a entoar:

— A fé é a chave que abre o caminho para o céu: Caminho Celestial.

O círculo mágico começou a emitir uma luz ofuscante quando ele terminou de entoar. Todo o pedestal começou a planar em direção ao solo, como se tivesse ligado a alguns cabos invisíveis. Parecia que o cântico do Ishtar tinha sido um tipo de sinal de ativação. Funcionava exatamente como um teleférico de fantasia. Todos os alunos começaram a clamar empolgados quando viram a sua primeira demonstração de magia. Houve bastante tumulto quando eles passaram pelo mar de nuvens também.

Uma vez do outro lado, os alunos puderam finalmente ver o terreno inferior. Bem abaixo estava uma grande cidade, ou melhor, um pequeno reino. Um grande castelo que parecia como se estivesse se projetando para fora da encosta da montanha estava no seu centro, com o resto da cidade espalhado em um círculo. A capital de Heiligh. O teleférico magico aparentemente percorreu da Santa Igreja até o terraço de uma das torres do castelo através de algum caminho aéreo.


 

 

[1] ハイリヒ王国 (Hairihi Oukoku), o “ハイリヒ” poderia ter sido traduzido como “heilig” invés de “heiligh”, já que é parte do nome de um município alemão: Heiligkreuzsteinach (ハイリヒクロイツシュタイナハ), heilig significa santo, sagrado, santificado, etc… 王国 é reino.
Uma observação a se dar, o autor gosta de utiliza muitos nomes com base nas línguas europeias, mais especificamente o alemão…

KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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