Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 17 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 17 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 17 de 17)

 

Os resultados demonstraram que era pouco provável ser uma armadilha. O objetivo do círculo mágico era para se mover para além da parede, ou assim parecia. O Capitão Meld entoou a inscrição no círculo mágico, colocando mana nela. Como uma passagem secreta ninja, a parede começou a virar, até que revelasse um corredor pequeno que conduzia à sala à frente. Quando eles passaram por ela, os estudantes se encontraram no vigésimo piso mais uma vez.

— Nós conseguimos escapar?

— Nós conseguimos!

— Conseguimos… Realmente conseguimos…

Todos eles soltaram um suspiro aliviado quando finalmente tomaram um deslumbre do cenário familiar do vigésimo piso. Alguns deles começaram a chorar, enquanto outros se sentaram onde estavam. Mesmo o Kouki estava encostado na parede, e parecia como se ele quisesse muito se sentar também.

Todavia, eles ainda estavam no labirinto. Mesmo que esse fosse um piso mais acima, monstros ainda poderiam aparecer a qualquer momento. Sendo assim, eles tinham que escapar do labirinto adequadamente antes de poderem relaxar plenamente.

O Capitão Meld ocultou sua simpatia em algum lugar dentro de si e gritou para os alunos se levantarem de novo, sua face agora com uma máscara de comandante.

— Ei, seus palermas! Parem de ficar ai! Se relaxarem aqui, então vocês estarão mortos antes de conseguirem sair! Agora fiquem em formação, evitem o combate tanto quanto possível, e tomem o caminho mais rápido para cima! Vamos lá, só temos um pequeno caminho a percorrer!

Alguns alunos tentaram se queixar dizendo que ele poderia pelo menos os deixar fazer uma pequena pausa, mas o seu olhar severo os impediu rapidamente. O grupo relutantemente cambaleou até ficar de pé. O Kouki escondeu sua própria exaustão e retomou a liderança novamente. Os cavaleiros fizeram a maior parte dos combates das poucas batalhas que eles não conseguiram evitar, e o grupo tomou o caminho mais curto que poderia para voltar para a superfície.

Até que finalmente, a vista nostálgica do portão principal e a mesa da recepção se tornou visível. Embora nem sequer tivesse passado um dia inteiro desde que eles tinham entrado, muitos dos estudantes sentiam como se tivesse passado muito tempo desde que puseram os olhos nele.

Todos os alunos sentiram o alívio se apoderando deles quando pisaram do lado de fora. Alguns deles só deitaram no chão, estendidos bem na frente do portão. A maioria deles estavam apenas contente por conseguirem voltar inteiros.

Não obstante, alguns alunos como a Shizuku, que ainda estava carregando uma Kaori inconsciente; o Kouki; o Ryutarou, que estavam olhando angustiadamente para elas; a Eri; a Suzu; e a garota que o Hajime tinha salvado tinham expressões tristes.

O olhar da recepcionista permaneceu nos estudantes por um tempo, até que o Capitão Meld foi até ela apresentar seu relatório.

A armadilha que eles tinham descoberto no vigésimo piso era extremamente perigosa. Embora a ponte tenha sido destruída, era possível que a armadilha ainda estivesse funcionando, então precisava ser relatado. Bem como o fato do Hajime ter morrido. O Capitão Meld se esforçou para segurar a dor em seu rosto, mas não conseguiu reprimir o suspiro que escapou.

Nenhum dos estudantes parecia querer explorar Horaud, então todos eles voltaram à pousada. Alguns deles conversaram entre si, mas a maioria simplesmente foram diretamente dormir, esgotados pelos acontecimentos do dia.

Apenas o Daisuke Hiyama saiu da pousada, encontrou um canto discreto da cidade, e se agachou, abraçando os joelhos. Ele enfiou seu rosto entre as pernas e ficou lá, imovível. Se alguns dos seus colegas escolhessem passar por ali àquela hora, pensariam que ele estava apenas deprimido.

Porém, a verdade era…

— Heheheheh… Hee hee hee. F-Foi tudo culpa dele. Porque aquele maldito fracassado… f-ficou convencido… F-Foi um castigo divino. Não fiz nada de errado… Foi tudo pelo bem da Shirasaki… Agora ela… não precisa perder tempo com aquele perdedor… Não fiz nada de errado… Hehehe. — Ele ria malignamente enquanto justificava seus atos para si mesmo.

De fato, foi o Hiyama que tinha lançado aquela bola de fogo errante no Hajime.

Na hora que o Hajime estava correndo para a escadaria, o Hiyama ainda esteve indeciso sobre o que fazer. Mas depois que ele vislumbrou a Kaori olhando para o Hajime, e foi como se um diabo tivesse sussurrado em seus ouvidos; Ninguém notaria se o matasse nesse momento.

E então, o Hiyama tinha vendido a alma para aquele diabo. Ele tinha programado perfeitamente, garantindo que ninguém notasse, e lançou sua bola de fogo no Hajime. Teria sido impossível perceber que era sua bola de fogo especificamente no meio da tempestade de feitiços. E a afinidade especial do Hiyama era com a magia de vento. Não haveria prova de que ele alterou sua trajetória, e ninguém ia sequer reparar.

O Hiyama continuou tentando se convencer de que estava seguro enquanto sorria alegremente para si mesmo. Entretanto, foi naquele momento que ele ouviu uma voz atrás dele.

— Hum, eu devia ter sabido que foi você. E pensar que o primeiro assassino que eu iria encontrar em outro mundo seria meu colega de classe… Você é muito ruim, sabia disso?

— Hã!? Qu-Quem é você!? — O Hiyama se virou em pânico. A pessoa que estava atrás dele era um colega de classe. Sobretudo, era alguém que ele reconheceu.

— O-O que está fazendo aqui…

— Isso não é o que importa agora. Então, como se sente? Sendo um assassino? Eliminando o seu rival amoroso permanentemente, o matando na confusão da nossa fuga?

A figura riu sarcasticamente, como se estivesse vendo uma comédia particularmente engraçada. O Hiyama sabia que não tinha moral para julgar, já que ele tinha cometido um assassinato, mas era incrível o quão imperturbável seu colega estava com a morte de outra pessoa. Até momentos atrás, a pessoa tinha parecido tão exausta e chocada quanto os outros colegas.

— …Então é assim que você realmente é? — O Hiyama murmurou, totalmente perplexo.

A sombra sorriu desdenhosamente para o Hiyama.

— O que eu sou realmente? Por favor, não há necessidade de fazer tanta confusão com isso. Todo mundo oculta seus eus verdadeiros de alguma forma. Contudo, vamos trocar de assunto… O que acha que aconteceria se todo mundo descobrisse? O que ela pensaria de você?

— O qu…!? N-Ninguém… acreditaria em você… Você não tem nenhuma prova…

— Tem razão, não tenho. Mas todos confiam em mim, então eles ainda acreditariam em mim. Especialmente se eu estiver acusando você, quem causou toda essa catástrofe para começar.

O Hiyama repentinamente se viu encurralado. Seu adversário estava apenas o provocando naquele momento, brincando com um rato já preso. Ninguém teria imaginado esse lado oculto do seu colega de classe, então eles nunca ficariam do lado do Hiyama. Teria sido muita mais acreditável se alguém tivesse dito que a pessoa na frente dele tinha várias personalidades. A expressão sádica que ele viu o olhando deu arrepios na coluna do Hiyama.

— O-O que você quer de mim!?

— Hum? Por favor, não seja assim. Você está dando a entender como se eu estivesse te chantageando. Na verdade, não quero nada de você nesse exato momento. Acho que se eu tivesse que dizer, gostaria que você se tornasse como minhas mãos e pés.

— V-Você não quer dizer…

O Hiyama estava praticamente sendo convidado para se tornar um escravo, então ele naturalmente hesitou em aceitar. Ele queria recusar, é claro, mas sabia que se fizesse isso a figura à frente dele iria dizer a todos que o Hiyama tinha matado o Hajime a sangue frio.

Encurralado entre duas opções inaceitáveis, o Hiyama começou a pensar devagarinho: Algum dia eu também vou te matar. Entretanto, parecia que seu adversário tinha previsto até isso e o tentado com a única coisa que o Hiyama não conseguia resistir.

— Você não quer fazer a Kaori Shirasaki sua?

— Hein!? O-O que você quer dizer…

Seus pensamentos sombrios desapareceram em um instante, e o Hiyama olhou boquiaberto em choque. A figura sorriu malevolamente, depois prosseguiu soltando palavras doces.

— Se jurar lealdade a mim… Eu vou dar ela a você. Eu tinha inicialmente planejado dar ao Nagumo-kun essa oferta, mas… bem, você o matou, não é? Apesar de achar que você é mais adequado para essas tarefas do que ele, enfim, tudo acabou bem.

— …O que está querendo? Qual é o seu objetivo!? — As palavras do Hiyama eram frenéticas já que ele ainda não conseguia compreender a situação.

— Fufu, meus objetivos nada têm a ver com você. Me deixe apenas dizer que há uma coisa que quero… Então? O que vai ser?

Ele tinha sido feito de tolo o tempo todo, e o Hiyama não podia suportar isso, mas seu temor com a transformação repentina do colega de classe ofuscou consideravelmente seu vexame. E de qualquer forma, ele percebeu que não tinha outra escolha, então assentiu, resignado ao seu destino.

— …Eu vou te escutar.

— Ahahahaha, perfeito! Verdade seja dita, eu realmente não queria incriminar meu companheiro de classe. Bem, vamos nos dar bem agora, Sr. Assassino. Ahahaha.

O chantagista se virou e voltou para a pousada, rindo calorosamente. O Hiyama o observou quando seu verdadeiro pesadelo foi embora, depois murmurou baixinho: — Maldição…

Não importava o quanto o Hiyama quisesse esquecer isso, fingir que não aconteceu, a memória do que ele tinha feito se recusava a deixa-lo. E o mesmo podia ser dito sobre a visão do rosto da Kaori quando ela tinha visto o Hajime cair. Sua expressão tinha mostrado seus sentimentos mais claramente do que qualquer palavra jamais poderia.

Assim que os seus colegas cansados tivessem descansados, eles também iriam se acalmar um pouco e a realidade da morte do Hajime iria os atingir. E então, eles iriam perceber os sentimentos da Kaori também. Que ela tinha ficado à volta do Hajime com mais do que apenas boa vontade.

Assim que eles percebessem o quão forte o evento tinha atingido a Kaori, iriam concentrar sua raiva sobre o causador disso. Sobre a pessoa que tinha os enredado descuidadamente naquela armadilha.

O Hiyama tinha que agir muito cautelosamente. Caso contrário perderia o seu lugar entre eles. Ele sabia que já tinha passado dos limites, por isso não tinha como parar agora. Desde que ele seguisse as ordens do seu colega de classe, um futuro que tinha pensado não ser mais possível, um futuro onde ele fazia a Kaori sua, ainda podia existir.

— Hehehe… D-Dará tudo certo. Tudo vai se resolver. Não fiz nada de errado… — Ele enfiou seu rosto entre seus joelhos mais uma vez, e então voltou a murmurar.

Dessa vez, ninguém o interrompeu.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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