Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 15 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 15 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 15 de 17)

 

A única razão pela qual ninguém tinha morrido ainda era por causa dos cavaleiros. Foi só devido às suas habilidades excelentes que foram capazes de cobrir a inexperiência dos alunos. Não obstante, em virtude do quão cobrados eles foram para manter todos os estudantes seguros, eles estavam todos cobertos de feridas.

E assim, com o apoio cansado dos cavaleiros e o exército de monstros só aumentando, os alunos estavam aos poucos entrando em pânico mais uma vez. Eles se esqueceram totalmente como usar magia e brandiam suas armas às cegas. Dentro de mais alguns minutos eles teriam certamente sido aniquilados.

Os alunos também tinham percebido a gravidade de sua própria situação, e o desespero se exibia em seus rostos. A garota que o Hajime tinha salvado continuou tentando coordenar seu pequeno grupo de estudantes, mas eles também estavam alcançando seus limites, e haviam lágrimas em seus olhos.

Todo mundo estava à beira de desistir, quando de repente…

— Raio Celestial! — Uma lâmina de luz pura atravessou o centro dos Soldados Traum, obliterando os inimigos em seu caminho.

Aqueles que não foram destruídos instantaneamente foram lançados pelo impacto do feitiço, e caíram para suas mortes nas profundezas abaixo. Uma nova onda de Soldados Traum surgiu para os substituir, mas, por um instante, os alunos apanharam um vislumbre da escada que os levavam a salvação. A esperança que eles tinham sido incapazes de ver mesmo por um segundo não importa o quão árduo eles tinham lutado.

— Pessoal! Não desistam! Irei abrir um caminho para nós! — O Kouki acompanhou seus gritos com um segundo Raio Celestial, ceifando outro grupo de Soldados Traum. Seu carisma esmagador reforçou a moral esgotada dos alunos.

— Seus idiotas! Mandaram todos seus treinamentos por água abaixo!? O que diabos aconteceu com vocês! Voltem para a formação imediatamente!

O sempre fiável Capitão Meld liberou um ataque que era indiscutivelmente ainda mais poderoso que o Raio Celestial do Kouki, aniquilando outra linha de Soldados Traum. A crise dos alunos foi extinta quando o pilar de apoio voltou para os ajudar.

A confusão do pânico foi retirada dos seus olhos, e a força regressou aos seus membros. Contudo, parte disso foi devido à magia da Kaori. Ela tinha lançado um feitiço de concentração mental. Geralmente não fazia mais do que ajudar uma pessoa a relaxar um pouco, mas o efeito se multiplicou exponencialmente quando combinado com o impulso de moral do discurso do Kouki.

Os curandeiros começaram a curar os feridos, enquanto os magos recuaram e começaram a entoar seus feitiços mais poderosos. A vanguarda fez uma linha adequada, e se concentraram em defender a linha traseira.

Uma vez curados, os cavaleiros voltaram à luta também, e o contra-ataque começou a sério. Todas as habilidades e armas apelativas atingiram os soldados em ondas, os afogando em um mar de ataques. Eles começaram a destruir os soldados mais rápido que os círculos mágicos podiam fazer novos.

Por fim, um caminho para a escada foi assegurado.

— Homens, avancem! Temos que assegurar a entrada! — O Kouki correu em frente, liderando o caminho.

O Ryutarou e a Shizuku, que tinham se recuperado um pouco, seguiram logo atrás dele. Juntos, eles cortaram através dos seus inimigos como uma faca quente cortando manteiga.

Em alguns instantes, todos tinham escapado do cerco. Os soldados tentaram fazer uma parede de carne, ou melhor, parede de ossos, e fechar o caminho para a ponte outra vez, mas o Kouki liberou outro feitiço para abrir um buraco em suas linhas.

Seus colegas olharam para ele confusos. Isso era apenas natural. Afinal, a escada estava na frente deles, não atrás. Todos eles estavam apenas pensando em escapar nesse momento.

— Pessoal, esperem! Ainda temos que salvar o Nagumo-kun! O Nagumo-kun continua lá segurando aquele monstro sozinho! — Todos seus colegas de classe então olharam para a Kaori confusos. Isso também, era apenas natural. Afinal de contas, o Hajime era o suposto “incompetente” da classe.

Todavia, quando eles olharam para além da multidão de Soldados Traum em direção à ponte, eles viram ninguém menos que o Hajime.

— Mas que raio? O que ele está fazendo?

— Esse monstro está enterrado na ponte? — Como cada vez mais colegas de classe começaram a gritar de surpresa, o Capitão Meld deu as suas ordens.

— Isso mesmo! Aquele garoto está parando aquele monstro sozinho. Ele é a única razão pela qual os seus rabos não são alimento para os esqueletos nesse momento! Vanguarda, avancem! Não deixem um único soldado passar por vocês! Retaguarda, comessem a preparar feitiços de longo alcance! A magia dele não vai durar muito mais! Uma vez que o garoto recuar, comecem a disparar para o manter ocupado! — Sua voz grave ressoou pelo lugar, e todos os estudantes reorientaram suas atenções.

Alguns dos seus olhares ainda permaneceram almejantemente na escada. E quem poderia os culpar? Eles tinham estado à beira da morte poucos momentos atrás. Era apenas natural estarem desejando pela segurança do piso de cima. Entretanto, o “Depressa!” do Meld conseguiu que até mesmo o mais relutante dos alunos finalmente se virasse e voltasse para o campo de batalha.

O Daisuke Hiyama foi um dos últimos a seguir. Embora toda a confusão fosse sua culpa, ele ainda estava dominado pelo terror e queria escapar o mais rapidamente possível.

Todavia, em sua cabeça ele se lembrou dos acontecimentos da noite anterior.

Na noite anterior deles terem entrado no labirinto, o que ele tinha visto na pousada Horaud. Ele tinha estado nervoso demais para dormir, então o Hiyama tinha saído por uns instantes para ir ao banheiro e sentir a brisa noturna. Ele tinha estado aproveitando o ar fresco da noite e estava prestes a voltar ao seu quarto quando viu a Kaori em um négligé. Ele tinha ficado tão surpreendido com seu súbito aparecimento que ele tinha reflexivamente se escondido nas sombras e segurado a respiração. A Kaori nem tinha reparado que ele estava lá quando passou. Sua curiosidade despertou, e ele seguiu a Kaori e viu quando ela tinha batido à porta de um certo quarto. Mais especificamente… O quarto do Hajime.

A mente do Hiyama tinha ficado vazia quando viu o Hajime atender à porta. O Hiyama, como a maioria dos outros rapazes, estava completamente apaixonado pela Kaori. No entanto, ele tinha pensado não ser digno o suficiente para ficar ao seu lado, e tinha decidido que se sua competição pelo seu afeto fosse contra alguém como o Kouki, que vivia em um mundo totalmente diferente, era melhor desistir.

Mas o Hajime era diferente. O Hiyama não entendia por que a Kaori queria estar com alguém que, ao menos em sua cabeça, era ainda pior que ele. Se ele é bom o suficiente, então por que não eu!? Sua mente doentia acreditava realmente que era uma linha lógica de raciocínio.

Sua insatisfação com o Hajime rapidamente deu lugar a ódio. O motivo pelo qual ele tinha aproveitado a oportunidade para obter o cristal glanz era também porque queria impressionar a Kaori.

O Hiyama se lembrou dos eventos daquela noite enquanto via a Kaori olhar angustiadamente para o Hajime, e um sorriso perverso se formou em seus lábios quando o início de um plano tomou forma em sua mente.

A mana do Hajime começou finalmente a se esgotar por volta do mesmo tempo em que todos os estudantes voltaram para a ponte. E ele estava sem pílulas de mana. Ele deu uma rápida olhadela para trás na ponte e viu que todos tinham conseguido recuar em segurança. Eles deram meia volta e se alinharam para começarem a disparar seus feitiços.

O Beemote ainda estava se esforçando contra suas amarras, mas naquele momento elas só aguentariam alguns segundos sem a transmutação constante. Ele teria de se afastar o mais longe possível durante esse tempo. Suor escorria pela sua testa. Seu coração estava batendo mais forte do que tinha batido em toda a sua vida, e ele estava tão nervoso que estava tremendo.

Ele iria precisar do momento certo para sair de lá com vida. Após fissuras começarem a aparecer pela décima vez, ele transmutou o chão mais uma vez, e reforçou as retenções do Beemote para garantir. Então ele correu.

Após míseros cinco segundos depois que o Hajime tinha começado a correr pela sua vida, o chão atrás dele quebrou, e o Beemote rugiu ameaçadoramente quando se libertou de suas amarras. O Hajime arriscou um olhar para trás e viu apenas raiva em seus olhos.

Ele olhou loucamente à volta, à procura daquele que tinha o forçado em tal situação desagradável. Ele rugiu outra vez, furiosamente, baixando a cabeça e se preparando para investir contra o Hajime. Não obstante, antes que pudesse avançar, uma barragem de feitiços se chocou nele.

Parecia como uma chuva bizarra de meteoros, onde cada meteoro era de uma cor diferente. Os vários feitiços não causaram nenhum dano no Beemote, mas eles definitivamente diminuíram sua velocidade.

Eu consigo fazer isso! Hajime pensou, e correu em frente com a cabeça abaixada. Embora a série de feitiços voasse centímetros acima dele, o Hajime não estava com medo. Ele tinha a certeza que seus colegas de níveis trapaceiros não o errariam. Em uma questão de segundos ele já estava a mais de trinta metros do Beemote.

Ele formou um sorriso inconscientemente.

Um instante mais tarde, porém, esse sorriso congelou no lugar.


KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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