Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 11 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 11 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 11 de 17)

 

Até aquele momento, o Hajime não tinha feito muita coisa. Ele tinha uma vez apanhado um monstro que os cavaleiros tinham enfraquecido para ele, o capturando em uma armadilha de queda e o apunhalando até à morte com a sua espada, mas nada mais do que isso.

Essencialmente, ele só tinha passado o tempo aguardando na retaguarda protegida pelos cavaleiros, sem ser capaz de se juntar ao grupo de ninguém. Era honestamente bastante patético. No entanto, usar suas habilidades em combate ajudava a aumentar sua estatística mágica, então não era completamente inútil. A estatística mágica do Hajime aumentou o suficiente para ele subir dois níveis, então a prática de combate tinha o ajudado um pouco.

Mas cara, me sinto completamente como um parasita por fazer isso. Haaah… Os cavaleiros enviaram outro monstro enfraquecido na direção do Hajime, e ele se aproximou com um suspiro, colocando as mãos no chão para transmutar a terra à volta. Ele o imobilizou em uma armadilha de queda para se caso ainda pudesse constituir uma ameaça, então o trespassou com sua espada.

Bem, pelo menos minhas habilidades de transmutação estão aumentando um pouco… Só tenho de continuar assim. O Hajime engoliu uma pílula de mana e limpou o suor da sua testa. Ele não tinha reparado que os cavaleiros estavam todos o olhando com admiração.

Na realidade, os cavaleiros não tinham estado esperando muita coisa do Hajime. Eles estavam apenas tendo tanta facilidade com aquilo que eles decidiram mandar alguns monstros para ele, já que ele parecia tão entediado. Enfraquecidos, é claro.

Todos eles tinham pensado que ele só iria brandir sua espada ao redor impotente por um tempo. Porém, ele tinha usado eficazmente suas habilidades de transmutação para imobilizar o inimigo antes de o despachar, uma tática que os cavaleiros nunca tinham visto antes. Eles tinham assumido que Sinergistas apenas serviam para ferraria, daí suas convicções de que as suas habilidades seriam inúteis em combate.

O Hajime só tinha sua única habilidade de transmutação, então ele tinha a treinado diligentemente, assumindo que sua capacidade de transmutar minério poderia se estender a terra também. Havia funcionado, mas com a dificuldade para ele derrubar um simples monstro enfraquecido, e quão forte todos à sua volta eram, ele ainda se achava fraco.

Essa foi a primeira vez que ele tinha mostrado essa capacidade as pessoas. Ele tinha feito de si uma figura de tolo completo durante suas excursões anteriores para matar monstros fora da capital, e essa foi a solução que tinha inventado.

Enquanto ele fazia uma pequena pausa, o Hajime olhou ao longo da linha de frente, e seus olhos encontraram os da Kaori. Ela sorriu para ele. Ela tinha levado a promessa de o “proteger” muito a sério, e o Hajime desviou o olhar, envergonhado, quando percebeu que ela tinha estado o vigiando o tempo todo. A Kaori se amuou um pouco quando viu que ele desviou o olhar. A Shizuku riu baixinho enquanto observava a ligeira troca de olhar deles de relance, então ela falou baixinho.

— Kaori, por que você fica olhando para o Nagumo-kun? Você não sabe que é errado pegar rapazes em uma masmorra? — A Shizuku disse brincando, mas a Kaori corou, e reagiu furiosamente à Shizuku.

— Ah, vamos, Shizuku-chan! Você poderia por favor não dizer coisas estranhas como essa! Eu estava apenas me perguntando se o Nagumo-kun estava bem!

Isso é basicamente você tentando o pegar então, não é? A Shizuku pensou, mas não querendo deixar a Kaori amuada, ela decidiu continuar calada. Ainda assim, ela era incapaz de esconder a alegria em seus olhos, e a Kaori apenas fez beicinho e disse “Céus” quando viu a expressão da Shizuku.

O Hajime tinha estado observando suas conversas ligeira quando sentiu o olhar de alguém sobre ele e reflexivamente se endireitou. Foi um olhar fulminante e cheio de ódio. Ele estava acostumado a receber tais olhares de seus colegas, mas a intensidade comprimida nesse estava em um nível completamente diferente.

Não foi a primeira vez que ele tinha sentido esse olhar também. Ele tinha o sentido várias vezes desde aquela manhã, mas sempre que tentava procurar quem estava o olhando assim, eles aparentemente se acalmavam. O Hajime estava ficando cansado disso.

O que está acontecendo…? Fiz alguma coisa a alguém? Embora tudo o que tenho feito é dar o meu melhor apesar da minha incompetência… Espera, poderia ser esse o motivo? Talvez estejam pensando “que raio pensa que está brincando, agindo como se pudesse ser útil!?”, ou algo assim…

— Haaah… — O Hajime suspirou profundamente. Ele tinha começado a pensar que talvez pudesse haver alguma sensatez em escutar o aviso da Kaori.

A classe continuou explorando o vigésimo piso.

Cada um dos pisos do labirinto abrangia alguns quilômetros em todas as direções, e novos pisos normalmente levavam de quinze a trinta dias para o vasculhar e mapear totalmente com uma equipe de dezenas de pessoas.

Contudo, nesse momento, todos os pisos até o quadragésimo sétimo tinham sido mapeados, então eles não corriam o risco de se perder. Nem deveriam estar correndo nenhum risco de caírem em uma armadilha.

A sala mais profunda do vigésimo piso era como uma caverna de calcário, mas feita de gelo. Estalactites saíam das paredes, algumas delas derretidas, criando uma topografia complexa. As escadas que conduziam ao vigésimo primeiro piso estava logo a seguir.

Assim que eles chegassem até lá, o treinamento do dia deles terminaria. Infelizmente, embora a magia de teletransporte tinha existido durante a Era dos Deuses, já não existia mais, então eles tinham de andar de volta até a entrada. Os estudantes já tinham começado a relaxar quando uma protuberância na parede tinha os impedidos de avançar em formação, os forçando a continuar em fila única.

Eventualmente, as duas pessoas à frente da fila, o Kouki e o Capitão Meld, pararam. Confusos, os estudantes se prepararam para lutar enquanto olhavam em volta. Parecia que eles tinham encontrado um monstro.

— Ele está se camuflando! Fiquem de olho na tua volta! — O Capitão Meld gritou um aviso para todos.

Um instante mais tarde, a coisa que todos tinham confundido com uma protrusão de repente mudou de cor e começou a se mover. A criatura que tinha assumido a forma de uma parede era na verdade de cor castanho-escuro, e ficou parado sobre duas pernas. Ele começou a bater no peito. O monstro parecia um gorila que podia se camuflar como um camaleão.

— Um Monterocha! Cuidado com os braços, eles dão um belo soco! — A voz do Capitão Meld ressoou por toda a caverna quando o grupo do Kouki se preparou para enfrentar o inimigo.

O Ryutarou repeliu os braços enormes do Monterocha com os punhos. Enquanto isso, o Kouki e a Shizuku se dividiram para ambos os seus flancos, mas não conseguiram o cercar devidamente por causa do terreno acidentado.

Percebendo que não conseguiria passar pela barreira humana que era o Ryutarou, o Monterocha recuou e respirou fundo.

— Graaaaaaaaaaah!!! — Segundos depois, ele olhou para trás e rugiu tão ferozmente que a sala toda tremeu.

— Guh!? — Uwaaah!? — Kyaaah!? — Embora a onda de choque do som que atingiu os estudantes não fez mal a ninguém, fez com que todos se tencionassem com medo. Essa era a magia que os Monterochas eram capazes de usar, “Rugido Ameaçador”. Era um rugido infundido de mana que podia paralisar temporariamente todos os que ouviam.

O Kouki e os outros, que tomavam à frente, se encontraram incapazes de se mover um centímetro. Eles esperaram ser atacados enquanto atordoados, mas o Monterocha passou por eles os ignorando, pegou um pedregulho próximo, e o lançou no grupo da Kaori. E que lançamento espetacular foi! Ele voou sem tocar em nada, passando por cima da linha de frente imóvel, e se dirigiu para o alvo pretendido.

Todas elas apontaram seus cajados amplifica-círculo mágico para o pedregulho e prepararam para o interceptar. Não havia espaço para esquivar.

Contudo, elas pararam no meio dos seus cânticos, pois a visão do que estava vindo na direção delas as chocaram à inação.

O pedregulho que o Monterocha tinha atirado era um segundo Monterocha! Ele deu um salto mortal no ar e abriu bem os braços, indo diretamente para a Kaori. A forma como ele abriu os braços parecia o Mergulho Lupin[1]. A semelhança era tão entranha que alguém poderia praticamente esperar que ele gritasse “Kaori-chaaaan!” quando a atingisse. Ele até tinha os olhos injetados e respiração forte parecidos. A Kaori, a Eri, e a Suzu gritaram em terror e esqueceram de continuar a entoar.

— Oi, o que vocês acham que estão fazendo no meio de uma luta!? — O Capitão Meld abateu rapidamente o Monterocha que estava mergulhando em direção às garotas.

Todas elas se desculparam rapidamente, mas isso deve ter sido uma visão nojenta de se ver, pois seus rostos ainda estavam pálidos. Uma certa pessoa perdeu a cabeça quando viu quão nervosas as garotas ficaram. O Kouki Amanogawa, o habitual autoproclamado herói da justiça da classe.

— Bastardo… Como se atreve a ferir a Kaori e as outras… Nunca o perdoarei! — Ele deve ter pensado erroneamente que a palidez delas veio de suas experiências de quase morte, e não o quão repugnantemente arrepiante o Monterocha tinha parecido.

Como se atreve a assustar uma garota assim! O Kouki teve um ataque de raiva por causa dessa razão bastante clichê. Mana branco-puro começou a sair do seu corpo, e quase como em resposta, sua espada sagrada começou a brilhar.

— Voe até o céu, Ó asas divinas: Raio Celestial!

— Não, pare, seu idiota! — O Kouki ignorou o Capitão Meld, levantou sua espada bem alto, e brandiu para baixo com toda a força.

Ele terminou de entoar seu feitiço no mesmo instante, e sua espada sagrada lançou uma lâmina de luz deslumbrante. Não havia como escapar. A luz curvada atravessou o Monterocha sem qualquer indício de resistência, o cortando completamente em dois, e parou só depois de bater na parede.

Houve um estrondo alto, pedaços da parede começaram a cair. O Kouki soltou um grande suspiro, depois se virou para as garotas, com um sorriso arrasa-coração em seu rosto. Ele tinha derrotado um grande monstro malvado para elas. No momento em que estava prestes a dizer “Está tudo bem agora!”, o Capitão Meld, que estava sorrindo furioso com veias saltando de sua testa, se aproximou dele e lhe deu um soco.

— Hobwah!?


 

 

[1] ルパンダイブ (Rupan Daibou), é o “nome” que se dá ao salto do personagem Arsène Lupin III do quadrinho bem antigo chamado Lupin III (que também se expandiu para diversas outras mídias). -> IMAGEM 1 <- -> IMAGEM 2 <-

KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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