Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 1 de 17) – 3Lobos

Arifureta – Volume 1 – Capítulo 1 (Parte 1 de 17)

Capítulo 1: Invocado a Outro Mundo com uma Classe Comum (Parte 1 de 17)

 

O Hajime, que tinha coberto os olhos com as duas mãos e os manteve bem fechados, percebeu lentamente que as pessoas à sua volta estavam murmurando alguma coisa e ele timidamente abriu os olhos. Ele ficou deslumbrado com a visão que o rodeava.

A primeira coisa que seus olhos registraram foi um enorme mural. O mural, que se estendia por dez metros de comprimento, retratava uma figura levemente sorridente cujo gênero parecia indeterminável, envolto de uma auréola, com os cabelos loiros escorrendo atrás deles. Atrás deles ao fundo, havia planícies, lagos e montanhas. A figura tinha ambos os braços amplamente abertos como se tentasse agarrar tudo aquilo. Essa era uma obra de arte realmente bonita e inspiradora. Mas, por alguma razão, o Hajime sentia arrepios percorrendo sua coluna enquanto olhava para ela, então ele rapidamente afastou seus olhos.

Quando ele examinou o resto de seu arredor, ele logo percebeu que estava em uma vasta câmara. A sala inteira era constituída com uma pedra branca reluzente que parecia lisa ao toque. Mármore, possivelmente. Pilares enormes com esculturas entalhadas se erguiam até o teto abobadado. A sala se assemelhava a uma espécie de grande catedral.

O Hajime e os outros estavam de pé sobre uma espécie de plinto localizado nas profundezas recônditas do local. Eles foram elevados sobre sua área circundante. Os colegas de classe do Hajime estavam todos olhando à sua volta estupefatos, assim como ele. Parecia que o que aconteceu tinha afetado toda a turma.

O Hajime se virou, procurando ver o que estava atrás dele. Como ele tinha esperado, a Kaori estava caída no chão. Ela não parecia ter quaisquer ferimentos, então o Hajime suspirou aliviado.

Depois de confirmar a segurança dela, o Hajime voltou seu olhar à multidão de pessoas ao seu redor, que ele presumiu que seriam os únicos a dar uma explicação para sua situação atual.

De fato, o Hajime e seus colegas de classe não eram os únicos ocupantes da sala. Cerca de trinta ou mais pessoas estavam de pé diante do plinto onde o Hajime e os outros estavam. Parecia como se todos estivessem rezando, com as mãos cruzadas sobre seus peitos.

Eles estavam todos vestidos com vestes brancas decoradas com bordado de ouro. Ao lado deles estava algo parecido com um báculo. As pontas de seus cajados abriam para uma forma de ventoinha, e em vez de anéis, vários discos planos se penduravam nas extremidades.

Eventualmente, um dos sacerdotes deu um passo em frente. Ele era um velho em seus setenta anos, vestido ainda mais luxuosamente de que seus colegas, com uma mitra esplendidamente decorada que tinha cerca de trinta centímetros de altura. Velho talvez não fosse a melhor palavra para descreve-lo. Se não fosse pelo seu rosto profundamente enrugado e olhos idosos, alguém poderia pensar nele como um homem na casa dos cinquenta.

Seu cajado tilintou quando ele caminhou, nítidas notas relaxantes reverberavam ao longo dos corredores o tempo todo. Finalmente, ele abriu a boca e disse:

— Bem-vindos a Tortus[1], bravos heróis. Temos o prazer em dar as boas-vindas a vocês. Eu sou o papa da Santa Igreja, Ishtar Langbard. É uma honra os conhecer. — O velho, que se chamava Ishtar, eclodiu em um sorriso cordial. Em seguida conduziu o ainda confuso grupo de estudantes para outra sala, que estava mobiliada com várias cadeiras e mesas longas, dizendo que seria mais fácil falar calmamente lá.

O novo cômodo que ele tinha guiado os estudantes era tão luxuosamente construído quanto o primeiro. O exemplar trabalho artesanal da mobília e das tapeçarias penduradas nas paredes era evidente mesmo aos olhos leigos dos alunos. A disposição da sala implicava que era alguma espécie de salão de banquetes. A Aiko Hatayama e o grupo de quatro do Kouki reivindicaram os assentos na cabeceira de suas respectivas mesas, e seus seguidores se organizaram à volta deles. O Hajime acabou por ficar no final da sua mesa.

O motivo pelo qual ninguém tinha feito um escândalo até agora, era porque todos ainda estavam muito ocupados processando o que acabou de acontecer. Além disso, o Ishtar tinha acabado de afirmar que iria explicar o que tinha acontecido e o Kouki, com seu carisma nível máximo, tinha conseguido acalmar todo mundo. A Aiko-sensei tinha lagrimas nos olhos quando assistiu um aluno fazer o que deveria ter sido a tarefa da professora.

Assim que todos tinham acabado de se sentar, uma série de carrinhos entraram na sala, empurrados por uma comitiva de empregadas. Empregadas verdadeiras, para começar! Não aquelas empregadas falsas encontradas em algumas terras sagradas eletrônicas, nem aquelas empregadas velhas e gordas que ainda podiam ser encontradas em vários países europeus. Elas eram empregadas genuínas, daquelas que todos os homens sonhavam em encontrar!

Mesmo em tal situação incompreensível, sua insaciável curiosidade e libido levaram a maioria dos rapazes a olharem intensamente para as belas empregadas. Quando as meninas viram como eles se derreteram para as empregadas, elas olharam para os meninos de uma forma fria o suficiente para congelar o próprio inferno.

O Hajime também já se preparava para cobiçar a empregada que tinha começado a lhe servir uma bebida, mas ele sentiu um olhar glacial penetrante em suas costas e decidiu manter o olhar fixo para a frente. Depois de um tempo, ele arriscou uma olhada para trás na direção em que ele sentiu o olhar, só para ver a Kaori radiando alegria para ele. Ele decidiu fingir que ele nunca tinha sentido algo estranho.

O Ishtar finalmente começou a falar quando todos tinham sido servidos suas bebidas.

— Então, tenho a certeza que todos devem estar se sentindo muito confusos com a situação em que se encontram. Vou explicar tudo, desde o início. Tudo o que peço é que vocês me ouçam até ao fim. — A explicação do Ishtar foi tão genérica e irracional que parecia como se tivesse saído de um livro padrão de fantasia.

Em suma, foi isso que ele disse: Primeiro, que esse mundo se chamava Tortus. Em Tortus viviam três raças diferentes: humanos, demônios e semi-humanos. Os humanos residiam na metade norte do continente, os demônios na metade sul, e os semi-humanos bem ao leste, no interior de uma enorme floresta.

Os humanos e demônios tinham uma relação tensa, tendo estado em guerra por centenas de anos. Embora os demônios não possuíssem a superioridade numérica que os humanos possuíam, suas forças individuais superavam em muito a maioria dos humanos, equilibrando bem a diferença. Ambas as partes estavam atualmente presos em um impasse, e uma grande batalha não tinha eclodido há décadas. Todavia, tinha havido movimentos perturbadores entre os demônios ultimamente. Designadamente o fato de eles terem conseguido domar monstros.

Os monstros eram supostamente animais selvagens que tinham sido submetidos a uma metamorfose mágica depois de terem mana vertido neles. Apesar que pareceu que os humanos ainda tinham que compreender completamente a biologia dos monstros, então eles não tinham tanta certeza. Eles eram aparentemente muito poderosos e até capazes de utilizar magia, o que os tornava um ameaça extremamente perigosa.

Até àquele momento, muito poucas pessoas tinham conseguido domesticar tais bestas ferozes. E mesmo aqueles que conseguiam não conseguiam lidar com mais de um ou dois de cada vez. No entanto, a situação tinha mudado. Que significava que a única vantagem que os humanos tinham sobre os demônios, a quantidade, tinha sido eliminada. Sendo assim, os humanos enfrentam uma crise sem precedentes que ameaçava a existência de sua própria raça.

— Aquele que convocou todos vocês aqui, foi o bendito senhor, Ehit. Ele é a divindade guardiã de nós humanos, e o único e verdadeiro deus da Santa Igreja. O supremo governante que criou o mundo inteiro. Suspeito que o Senhor Ehit ficou consciente de nossa situação difícil. Ele percebeu que a humanidade estava condenada à aniquilação, então ele invocou vocês aqui para evitar tal catástrofe. Vocês heróis são humanos de um mundo superior ao nosso, e por isso, carregam dentro de si a força que supera os humanos desse mundo.

O Ishtar parou por um momento antes de continuar hesitantemente: — Ou ao menos, é isso que me foi mostrado em uma revelação divina.

— Independentemente disso, eu imploro a todos vocês que façam conforme o Senhor Ehit quis de vocês. Por favor, derrotem os demônios e salvem a raça humana da destruição. — Ele parecia praticamente em transe enquanto dizia isso. Ele devia ter estado se lembrando da hora que ele recebeu essa revelação divina.

Segundo o Ishtar, mais de 90% dos humanos veneravam o deus criador Ehit, e aqueles que receberam suas visões divinas eram, sem exceção, concedidas altas posições na Santa Igreja. Quando o Hajime estava pensando sobre quão louco um mundo deveria ser para que as pessoas acreditassem alegremente na “a vontade de deus” sem questionar, e quão perigosa tal crença era, alguém se levantou e começou a protestar calorosamente contra as palavras do Ishtar. Esse alguém era a professora Aiko.

— Você não pode estar falando sério! Você está dizendo para essas crianças irem lutar em uma guerra!? Isso é absolutamente inaceitável! Como uma professora, não posso permitir isso! Nos mande de volta nesse instante! Todas essas crianças têm famílias em casa que devem estar muito preocupadas! Vocês não podem simplesmente os sequestrar assim!

Cada uma de suas palavras tinham um pouco de raiva óbvia. Aiko, a professora de estudos sociais de vinte e poucos anos, era muito popular entre as crianças. Ela tinha apenas 1 metro e 40 centímetros de altura, com um rosto de bebê e cabelo mantido em um estilo bob elegante. Com sua aparência infantil, e a sua tendência a fazer tudo o que podia para o bem de seus alunos, embora a maior parte de seus esforços fossem em vão, tinha atraído muitos. O abismo que separava o quanto ela tentava e o quão útil ela realmente acabou por ser, tinha feito a maioria dos estudantes a ver como uma criança que precisava ser protegida mais do que uma adulta a ser respeitada.

Muitos deles passaram a chama-la pelo o apelido de Ai-chan, apesar de ela sempre ficar zangada quando faziam. Já que ela tinha o objetivo de ser uma professora respeitada, ela não gostava de ser chamada pelo apelido familiar.

Desta vez também, ela reapareceu para protestar contra o Ishtar pela invocação irracional forçada no sentido de aparentar ser uma devida professora. Infelizmente, os alunos consideraram o mesmo de sempre, pensando algo do tipo: “Olhem, é a Ai-chan de novo. Sempre se esforçando tanto”, enquanto discutia com o Ishtar. Porém, as próximas palavras do Ishtar fizeram o sangue de todos gelar.


 

 

[1] トータス, creio que em roumaji seja algo como “toutasu”. Em uma tradução literal significa “tortoise”, no português: cágado.

KakaSplatT
Técnico em eletromecânica e tradutor quando possível…
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